Luís Filipe Vieira pode endurecer o discurso e lembrar que agora, com ele, o SL Benfica já não anda nas ruas da amargura (a mendigar tostões e operações coração), nem nas bocas do mundo (por não pagar as suas dívidas aos credores). É uma recordação judiciosa. Mas será que chega, para quem prometeu um SL Benfica europeu e que, com a época a terminar, se arrisca a uma das piores prestações de sempre?
Luís Filipe Vieira pode relativizar os objectivos. Afinal com ele, mesmo que o SL Benfica não se apure para a Liga dos Campeões, como é mais que provável, a coisa não é assim tão grave, já que financeiramente, pelos vistos, o SL Benfica está preparado para esse tipo de eventualidades. Mas será aceitável que um presidente do SL Benfica faça um discurso desses num ano em que o clube, não se apurando para a Liga dos Campeões, esteve muito longe de poder ganhar algo? Não mereceria Luís Filipe Vieira, ao falar assim, que o SL Benfica nem para a UEFA se apurasse?
Luís Filipe Vieira pode querer arrepiar caminho. Afinal é humano, reconhece que errou e que é preciso mudar as coisas. Mas, espanto dos espantos, não foi ele que errou. Foi a estrutura do futebol. Agora é preciso mudar tudo porque, afinal este foi um ano de experimentalismo em que se esteve a aprender! Mas é admissível que num final de mandato, em que cada época foi quase sempre pior que a anterior, se venha dizer que se está a aprender com os erros? Certamente que todos aprendemos com os erros ao longo da vida, mas não reconhecer os próprios erros como seus e fugir para a frente não é o pior dos caminhos?
Luís Filipe Vieira, por este caminho, terá sempre uma justificação. Para o ano pode ser Rui Costa. Afinal a coisa não funcionou, poderá dizer. É um caminho possível. Mas será que, assim, o SL Benfica tem futuro?