TRIBUNA PRESIDENCIAL ALBERGA CORRUPÇÃO
Um Presidente da República, um Ministro da Presidência, um Secretário de Estado do Desporto, um Presidente da Federação, um Presidente da Liga e um representante de cada um dos clubes que disputam a final na Tribuna de Honra da final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional, é um cenário normal. Mas que faz lá, na companhia de tão ilustre tribuna em representação do Estado, um condenado, suspenso por actos ilícitos associados à corrupção?
A promiscuidade entre futebol e política é conhecida. Infelizmente tem sido tolerada em diversos aspectos. Mas felizmente, ao mais alto nível das figuras de Estado, há exemplos de recusa dessa promiscuidade. Jorge Sampaio, por exemplo, quando era Presidente da República recusou-se a receber Jorge Nuno Pinto da Costa, uma vez que o Presidente do FC Porto estava indiciado por crimes de corrupção. E o FC Porto acabara de ser campeão europeu, existindo por isso milhões de razões para que o Presidente da República agraciasse o clube pessoalmente. Milhões de razões menos uma. Um Presidente da República, em caso algum deve puder estar sob suspeita de estar a legitimar actos de corrupção. Do mesmo modo, em caso algum, deve associar-se a actos que desagravem alguém que foi punido por actos ilícitos associados à corrupção. O silêncio de Cavaco Silva e dos demais representantes oficiais relativamente a este triste episódio da democracia portuguesa é assustador.
Um Presidente da República pode equivocar-se, mas não pode ficar em silêncio sob a suspeita de estar a desagravar alguém que foi suspenso por actos ilícitos associados à corrupção.
[...] para a saúde da democracia portuguesa, o facto de Aníbal Cavaco Silva ter desagravado, ao partilhar a Tribuna Presidencial no Jamor, Pinto da Costa, suspenso por 2 anos devido a actos ilícitos associados a [...]