Que Eduardo Mascarenhas, um “não muito ferrenho adepto do FC Porto” e pai de uma menina de quatro anos, tenha apresentado queixa junto do Ministério da Educação devido à educadora da filha ter adaptado a letra do “atirei o pau ao gato”, ensinando as crianças a cantar “vai-te embora pulga maldita – batata frita – viva o Benfica”, é recambulesco. Que o FC Porto tenha produzido um comunicado oficial sobre a questão é assombroso. Vale a pena reproduzir o teor do comunicado.
“22/03/2012
A madrassa da Ericeira
Uma educadora de infância de uma escola pré-primária da Ericeira alterou a letra da popular canção infantil “Atirei o pau ao gato” e acrescentou-lhe no final “batata frita, viva o Benfica”. A história soube-se porque um pai, adepto do FC Porto, apresentou uma queixa no Ministério da Educação.
O FC Porto saúda o civismo do pai e condena este proselitismo feito em escolas públicas, que em vez de ensinarem os valores da liberdade de escolha, ou de opinião, preferem ser uma espécie de “ayatollahs” das suas próprias preferências.
Mais grave é entretanto o FC Porto ter tido conhecimento que a adulteração da letra é prática diária e repetida três vezes ao dia não só no jardim-infância da Ericiera, mas também em todas as escolas do pré-escolar do agrupamento e também noutras dos concelhos de Lisboa e Cascais.
Urge, por isso, que o Ministério da Educação se pronuncie sobre estes fascistas do gosto e dê instruções para que em todas as escolas do país se acabem de uma vez por todas com práticas que fazem lembrar os tempos da outra senhora.”
De repente, depois do FC Porto ter perdido 3-2, para uma competição que nunca ganhou e nunca quis ganhar (por isso disse que ia jogar à Luz para poupar titulares e assim o fez, como se viu), depois de ter saído de todas as competições que poderia ganhar este ano, restando a possibilidade de um campeonato que está tremido (não obstante as ajudas do costume), descobre-se a grande intentona do eixo do mal, no distrito de Lisboa, onde crianças andam a ser doutrinadas há meses.
Pessoalmente, não gostaria que na escolha dos meus filhos houvesse doutrinações do tipo das relatadas. Nem em relação ao futebol, nem em relação à religião, ou qualquer outra matéria. Mas em caso algum deixaria de colocar formal e primeiramente o problema à escola. E, na falta de intervenção, à tutela. Ir fazer queixas à tutela porque a coisa corre mal ao clube do bairro e ir dizer ao clube que fez queixa, só pode ser resultado de mau perder.
Ao FC Porto fica muito mal a reação que teve, nos termos que teve. generalizou com base no relato de um adepto. Colocou no mesmo saco um indefinido “noutras [escolas] dos concelhos de Lisboa e Cascais”. Arrisca-se a um tiro pela culatra. Investir tudo e não ganhar nada faz doer. Mas descer tão baixo e expor-se de tal forma ao rídiculo é de clube pequenino.