Para além da corrupção com rosto, direta e direcionada para momentos chave (a dos Guímaros, dos Calheiros, dos quinhentinhos, da fruta, dos Martins dos Santos, dos Franciscos Silvas, do chocolate, etc), a corrupção institucionalizada não é menos significativa na adulteração dos resultados e da verdade desportiva.
O que se passou na última fase da Liga dos Campeões, e não só no confronto Benfica-Chelsea é disso um exemplo. Não houve, por exemplo, respeito pela verdade desportiva no Milão-Barça, como não houve no Benfica Chelsea. Se no Milão-Barça, a equipa italiana foi claramente beneficiada pela arbitragem na primeira mão,já na segunda mão os árbitros favoreceram muito claramente o Barça. Poder-se-á dizer que, assim, as coisas se equilibraram, mas isso não é futebol, uma vez que a arbitragem foi quem mais destaque acaba por ter.
No confronto Benfica-Chelsea a questão é ainda mais gritante, já que a arbitragem foi claramente, nas duas mãos, sempre em favor do Chelsea, um factor de decisão. Não basta à Uefa fechar os olhos, nem os jogadores do Chelsea virem dizer que o Benfica vendeu cara as derrotas e que merecia mais. Sobretudo à Uefa cabe penalizar claramente os árbitros que apitaram mal e que decidiram o resultado da eliminatória, colocando, escandalosamente, o Chelsea nas meias finais.
Mas que fará a Uefa? O contrário seguramente. Paolo Tagliavento e Damir Skomina serão seguramente premiados pelas suas más arbitragens, porque, para a Uefa, foram arbitragnes muitos boas. Fizeram com que o confronto das meias finais fosse um Barcelona-Chelsea, muito mais rentável para a Uefa e para o “futebol”, o da Uefa, claro, e não o jogado nas quatro linhas.
E porque apitaram os árbitros assim, favorecendo o Chelsea ao ponto de prejudicar a verdade da eliminatória? Porque sabiam que a Uefa os premiará se, no fundo, tudo correr bem. Os árbitros, na Uefa, como em Portugal e noutros países, erram tendencialmente sempre em favor de quem sabem que, dominando as estruturas de poder e de promoção, os penaliza muito se fizerem um pequeno erro em favor dos mais fracos, mas os promove se errarem o necessário a favor dos mais fortes. No caso do Benfica-Chelsea o necessário foi escandaloso.