SOUZA, CAMACHO, ROCHEMBACK, PAULETA E UM MAR DE DÚVIDAS NO SL BENFICA 2007-2008
Se não está à deriva, parece. Mas o que parece não é. Há, sim, um homem que joga tudo numa solução em que ele, mais que ninguém, acredita.
Faço, por isso, uma pausa nas minhas férias, para comentar alguns dos últimos desenvolvimentos no Benfica.
Confesso, e disse-o aqui no Blog, ao elogiar o trabalho de José Veiga no Benfica, que a saída do mal-amado me deixou com alguma apreensão. Mas Luís Filipe Vieira fez o gosto às massas e tornou a presença de José Veiga inviável. Com isso viabizou, ao mesmo tempo, o regresso do bem-amado, José António Camacho. Com a saída de Veiga faltava apenas resolver um pequeno problema (tão mais pequeno quanto os resultados e as exibições ajudavam a evidenciá-lo como grande problema): Fernando Santos. Luís Filipe Vieira apostou tudo numa estratégia em que ele mais que ninguém confia e que, sabe-o bem, a maioria dos adeptos aprova e aclama. Nesta caminhada, Fernando Santos, um acaso na história do Benfica, viabilizado apenas pela impossibilidade em recrutar Carlos Queirós, era um pequeno peão a prazo. A pergunta que fica é uma só. Mas tem resposta. Se Luís Filipe Vieira estava disposto a viabilizar o regresso de José Antonio Camacho, se Camacho, ao que parece, até viabilizou algumas das contratações do Benfica para esta época, porquê deixar a época começar e não permitir que Camacho tivesse feito todo o trabalho desde início? A minha resposta é que Camacho não regressaria ao Benfica a qualquer preço disposto a correr todos os riscos. Regressar numa condição de salvador, para reforçar a empatia com a massa associativa, num momento em que o Benfica ainda pode ganhar tudo, em que tem um bom plantel e em que até ainda pode reforçá-lo, é o ideal para Camacho. Nestas circunstâncias, Camacho pode falhar, desde que não fracasse redondamente, sem ser penalizado pelos adeptos. Se tiver êxito será aclamado e levado aos píncaros. E Luís Filipe Vieira terá acertado na sua estratégia.
Com tudo isto parece, e parece de uma maneira preocupante, que o Benfica está agora a iniciar a época. A maioria dos adeptos, animada pelas declarações do Presidente da Direcção, espera ainda, até ao fecho do defeso, mais e mais sonantes contratações que aquelas que esperava no início do defeso. Venham quantos vierem, venha Rochemback, venha Pauleta, venha Souza, venha Daniel Carvalho ou apenas rumores deles, a verdade é que o plantel não terá, nos próximos e cruciais dias, a tranquilidade que Nuno Gomes pedia. A possível contratação de Williamis de Souza Silva, sendo um desses factores de perturbação, só me faz pensar na contratação de Paulo Almeida, um fracasso avalizado por Camacho. E não digo isso apenas por Souza ter perdido a titularidade no São Paulo. Souza até é um jogador razoável que poderia encaixar neste Benfica, como Léo encaixou quando chegou. Além disso, é um jogador que o Espanhol de Barcelona tentou contratar em Maio e que alguns clubes alemães perseguiram. O seu carácter polivalente e o facto de ser um jogador experiente também ajudam. A questão é que o São Paulo não o liberta facilmente. Mas, se há algo em que Camacho me parece estar longe de ser um bom treinador (e sobre isso falarei noutro post) é a sua capacidade em referenciar bons jogadores. Nisso está bem no Benfica, pois a capacidade de prospecção tem estado ao nível de Camacho. Luís Filipe Vieira, fica também descansado. Afinal, se alguma das estrelas não render, Fernando Santos, por mais que fale daqui para a frente, ficará como o responsável dessas contratações falhadas. Afinal, Fernando Santos e Luís Filipe Vieira pareciam, salvo raras excepções, estar a fazer as contratações de mútuo acordo. Agora é demasiado tarde para Fernando Santos vir dizer o contrário. O seu ar de bem comportado e de politicamente correcto abriram-lhe as portas da saída.
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Com uma estrutura directiva dependente dos humores de um presidente esforçado e sem resultados desportivos, o Benfica continua em queda lenta, mas gradual. A verdade é que, neste século XXI, com oito campeonatos já disputados, o Benfica já está muito atrás do Sporting e do FC Porto: tem menos títulos, menos vitórias, menos golos marcados, mais golos sofridos e menos pontos. Num total de 269 jogos deste século, o FC Porto lidera a classificação com 598 pontos e quatro títulos; o Sporting é segundo, com 550 pontos e dois títulos; e o Benfica segue em terceiro, com 535 pontos e apenas um título. Significa isto que o grande Benfica com mais campeonatos e mais taças que os outros não passa de uma memória cada vez mais distante.
Distante ou não distante, continuamos a ser o clube que mais titulos tem a nivel nacional. Não faltará muito para que tudo volte ao normal.