Inocêncio Calabote é no futebol português uma espécie de Gambozino Fantasma.
Recorrentemente é ressucitado sempre que surge a mais pequena possibilidade de o SL Benfica estar a ser beneficiado pela arbitragem. Gambozino porque, como se sabe, o Calabote, para lá do árbitro e do homem, é uma figura ficcionada que passa por ter garantido algo que muitos dão como certo (a conquista de um título supostamente indevido), mas que nunca aconteceu, e que passa por ter feito mais que aquilo que dele se diz. Fantasma porque, nessa sua dimensão imaginária de Gambozino, com que se iludem os ingénuos, o Calabote paira como uma ameaça dos maus velhos tempos em que o clube de uma cidade longe da capital, por mais que fizesse, não podia ganhar devido à desonestidade reinante. O Calabote preenche essa vital função de assustar os meninos mal comportados, ou que não aprenderam a comportar-se de acordo com as regras de certa ortodoxia. Por isso, qualquer árbitro Calabotizado não tem futuro. Qualquer menino que, sentindo-se ameaçado, não grite “vem aí o Calabote” não bebe “leitinho com chocolate” nem tem “soldadinhos de chumbo” para o seu exército.
Desta vez, coube ao Presidente do Braga ressucitar Inocêncio Calabote e a Jesualdo Ferreira fazer aquela voz que os fantasmas supostamente fazem.
Jesualdo, na triste figura de treinador que, pateticamente, vê a sua equipa, jogando em casa, ser completamente incapaz de marcar um golo a uma equipa que ridicularizara o SL Benfica, apresenta-se como um actor cómico de segunda, não encontrando outra explicação para o facto de ter perdido o primeiro lugar mal o houvera conquistado que não fossem os erros de arbitragem ocorridos a 300 Kms de distância. Nenhum outro cabotino faria melhor. A Jesualdo bastar-lhe-ia ter ganho. Paciência, empatou em casa com o Trofense. à falta de perceber a realidade, passou-lhe pela cabeça criar artifícios. Foi comovente. Só faltou que o golo de David Luis tivesse sido exactamente como foi, mas no último minuto de jogo.
O Presidente do Braga, o menino assustado, talvez querendo mostrar ser “o menino bem comportado”, fez o seu papel perante o pai que o assusta com o fantasma que anda por aí. Talvez o menino queira ser Presidente de outra coisa qualquer, quando o pai se retirar, e para isso ache que deva berrar mais alto que todos contra os fantasmas maus. Há ironias aflitivas. Se, quando o Braga jogar, brevemente, com o FC Porto a arbitragem tiver influência no resultado, onde vai meter-se o menino? Quem vai fazer de cabotino? Deixará de haver Calabotes?
Peixoto
A coisa anda tão preta que nem tempo tenho para vir aqui.
De qualquer maneira mando um abraço
Marciano
Comente by Marciano — 16/01/2009 @ 23:05
Marciano
Vamos fazendo pela vida, que isto não está fácil.
Deixo-te um grande abraço.
peixoto
Comente by peixoto — 17/01/2009 @ 01:55
[...] tinha falado do homem aqui, como um menino. Mas o homem, afinal, é um [...]
Pingback by JESUS É JESUS. MAS O SALVADOR É UM DEUS — 15/05/2009 @ 00:00