A comédia não é o meu estilo cinematográfico preferido. Mas, gostando de uma boa comédia, recupero aqui uma conhecida comédia com Peter Sellers (o homem que toca corneta no filme abaixo durante quase dois minutos, do minuto 3:17 ao minuto 5:14. O resto do filme são excertos de outras comédias, mas que, embora com a sua piada, não têm interesse para o post).
Peter Sellers tocou corneta em vários dos seus filmes, incluindo na saga da Pantera Cor-de-Rosa (começo aqui a imaginar Luís Filipe Vieira de Corneta na mão, vestido com a camisola cor-de-rosa do equipamento alternativo). Mas a cena que mais o celebrizou a tocar corneta é sem dúvida aquela que protagonizou no filme “The Party” (1968). Nesse filme, Peter Sellers é um actor indiano desconhecido que é acidentalmente convidado para uma festa de arromba em Hollywood (que ele acabará por tornar imemorável). No filme, Sellers é contratado para um pequeno papel. Mas a sua ânsia de protagonismo leva-o a tocar corneta até à exaustão (ver filme abaixo), estragando um dia inteiro de filmagens. Irritado, o realizador manda despedi-lo, mas acidentalmente colocaram o nome dele na lista errada e ele, depois de ter estragado as filmagens, ainda estragou a festa para que acabou por ser acidentalmente convidado.
No seu papel de tocador de corneta Sellers deveria morrer ao primeiro tiro. Mas ele insiste em levantar-se e em continuar a tocar. O exército inimigo continua a atingi-lo. Ele levanta-se sempre e toca ainda de uma maneira mais irritante. Às tantas é o seu próprio exército que começa a disparar sobre ele. Mas ele levanta-se e toca. E a cena, a tal que estragou um dia de filmagens, termina com toda a gente disparando sobre Sellers. E o seu exército dispara ainda com mais fúria que o próprio exército inimigo.
Luís Filipe Vieira tem, e bem, a obstinação deste homem da corneta. Nesse seu carácter obstinado tem sido muito útil ao Benfica. Também não é homem para cair aos primeiros tiros, nem quando eles vêm do seu exército. Por isso mesmo, ao contrário de Peter Sellers em “The Party”, Luís Filipe Vieira parece, pelo menos à maioria dos benfiquistas, ter sido “contratado” para o papel certo. Porém, como no filme, há cornetadas que não são naturais. Ao contrário de Peter Sellers, Luís Filipe Vieira tem de saber confinar-se ao seu papel e desempenhá-lo bem, como, na generalidade, tem feito até aqui.
Se a cartada em Camacho falhar, Luís Filipe Vieira não terá desculpas. Estragou a festa. E grande parte do exército que agora segue o toque do corneteiro começará a disparar contra o corneteiro, seguindo o exército inimigo. Esse está sempre no terreno e pronto para tudo. Nos dias que correm, Luís Filipe Vieira, como Peter Sellers no filme, tem de escolher bem, como tem feito até aqui, mas não sem tiradas inoportunas, diga-se, os seus inimigos.
Nos tempos mais recentes, deu sinais de querer concentrar mais funções directivas em si, talvez mais que aquelas que pode assumir com competência, foi demasiado taxativo em relação a situações que depois não se verificaram, parece querer impor uma exemplaridade desnecessária através do confronto com Nuno Gomes, e continua a falar como Sellers toca corneta no filme.
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Parabéns por este “post”, que para além de ter sido feliz na escolha do filme, está também muito bem escrito.
Comente by António — 22/08/2007 @ 09:26
e para não esquecer que o Camacho pelo que li e ouvi hoje vem ganhar 160 mil euros..
Abraço
Paulo
Comente by Paulo Gonçalves — 22/08/2007 @ 18:39
Parabéns pelo post. Está genial.
MFQ
Comente by bomdebola — 22/08/2007 @ 22:30
Sem dúvida um grande post.
Sinto-me orgulhoso por poder trocar ideias contigo sobre o nosso Benfica.
Parabéns.
Comente by slbcarlitos — 23/08/2007 @ 00:47