Para lá das exigências lançadas pelos opositores declarados de Luís Filipe Vieira, esta é uma pergunta que faz sentido.
É certo que os mandatos são para se cumprir. E esse deve ser um princípio inviolável. Mas também é certo que uma antecipação de 2 ou de 3 meses não fere o princípio da legitimidade e da obrigação de cumprimento do mandato.
Devo dizer que não sou favorável à antecipação das eleições e que só equacionaria essa possibilidade se vislumbrasse que, com ela, o SL Benfica tinha mais a ganhar que a perder.
Embora me pareça, neste momento, que o planeamento da próxima época está por fazer, dada a certeza que tenho na decisão de Luís Filipe Vieira em mudar de treinador, o SL Benfica nada ganharia em antecipar agora as eleições. O mesmo não seria verdade se essas eleições tivessem sido marcadas para inícios de Maio.
O planeamento da próxima época, infelizmente, e com consequências que presumo gravosas, vai decorrer num contexto de forte contestação às opções que vierem a ser tomadas nos próximos meses, em termos de jogadores e de equipa técnica. Esse contexto será tão mais grave quanto mais numerosos forem os candidatos e quanto a re-eleição de Luís Filipe Vieira estiver em causa. Com a agravante de, neste contexto, Rui Costa correr fortes riscos de ver a sua posição fragilizada. (Suspeito que neste momento o grau de confiança entre Filipe Vieira e Rui Costa seja o mais baixo de sempre). Quique, se ficasse, veria a sua posição ainda mais fragilizada, razão que, adicionalmente, nos faz chegar à conclusão que, havendo uma oposição forte, Quique não fica mesmo.
O princípio da continuidade do projecto e da missão, que sustenta a recandidatura de Luís Filipe Vieira, não encontra eco em termos desportivos. Ou seja, para Luís Filipe Vieira, mudar sim, mas só de treinador. Com um novo treinador, vários jogadores estão de saída e vários outros entrarão no clube. As eleições, e a ideia que se está a renovar, fomentam essa tendência. E a continuidade que se advoga na gestão não se aplica no plantel nem no treinador. O pior é que, com eleições antecipadas esse risco seria ainda mais grave. Isto vai acabar mal.
Gostaria de ver surgir um candidato que constituísse uma alternativa real a Luís Filipe Vieira. Penso que, mau-grado o folclore e as feiras de vaidades que estes momentos suscitam (basta olhar para o outro lado da segunda circular), isso é possível e desejável no SL Benfica. Nessa perspectiva, se antecipasse as eleições, Luís Filipe Vieira poderia estar a retirar, ilegitimamente, tempo de manobra a eventuais candidatos que se lhe queiram opor. Nessa perspectiva, Luís Filipe Vieira deve ir até ao fim, tal como Quique está a fazê-lo, mesmo quando, para ele, a não continuidade já é uma evidência.
Do mal o menos. Que seja a actual direcção a planear a próxima época, porque uma nova que viesse agora para o fazer multiplicaria os factores de risco. Se Luís Filipe Vieira ganhar as próximas eleições e o início da próxima época for um desastre, resta-lhe demitir-se na melhor altura.
[...] um mês atrás defendi aqui que nada tinha contra a antecipação das eleições no SL Benfica se concretizada em devido tempo. [...]
Pingback by SL BENFICA COM ELEIÇÕES A 3 DE JULHO | SL Benfica — 10/06/2009 @ 22:02