Não sei se já deveria ter escrito este post ou se deveria apenas escrevê-lo quando a época realmente acabasse. [Digo realmente porque, para mim, na desilusão que tomou conta dos benfiquistas, já acabou há algum tempo]. Também não sei se o queijo é realmente suíço ou se é mais francês. Mas, o SL Benfica desta época, em várias perspectivas, faz-me lembrar um queijo suiço.
Saboroso, mas cheio de buracos.
Assumo que o queijo é suiço por contraposição ao relógio suíço, aquele objecto que funciona afinadinho, em que os ponteiros se conhecem uns aos outros, em que podemos sempre confiar, que ostentamos com orgulho e que gostamos de mostrar aos amigos. Enfim, o contrário do SL Benfica desta época.
O SL Benfica tem bons jogadores. Tem, por exemplo, o melhor guarda-redes da Liga portuguesa. E tem, na sua primeira época em Portugal, um dos melhores pontas-de-lança. O problema é que entre isso, e havendo mais jogadores de bom nível além de Quim e de Cardozo, há uma manta cheia de buracos a evidenciar uma falta de consistência colectiva. Um desses buracos, independentemente das trocas e das lesões, esteve no eixo da defesa. Edcarlos não é jogador para ter tantos minutos, e só as lesões justificam o tempo que jogou. É mesmo duvidoso que seja jogador para o SL Benfica. Katsouranis, um dos poucos jogadores do SL Benfica que sabe fazer faltas quando é preciso jogou demasiado tempo fora da posição onde, esta época, mais era preciso. Além disso, Katsouranis carrega consigo uma problema: já não quer estar no SL Benfica.
No meio-campo, os buracos do queijo tornaram-se ainda mais evidentes. Petit foi incapaz de cumprir as funções que vinha cumprindo. Sem capacidade de luta, sem recursos para fazer pressão, sem “ratice”, sem ala direito, o meio campo ficou entregue à classe de Rui Costa. Mas, não obstante o génio do maestro, Rui Costa não tem, se lhe faltar (como faltou) quem corra por ele, quem ganhe no corpo-a-corpo, a frescura necessária para levar a bola à frente com a cadência necessária para tornar o SL Benfica sufocante quando é preciso. Se esta época mostra alguma coisa é que, a jogar em casa, o SL Benfica raríssimas vezes foi capaz de sufocar os adversários com aquela pressão que faz a diferença entre ganhar e não ganhar. Mas, reconheça-se, o SL Benfica não tinha jogadores para isso.
É óbvio que esses buracos tornam-e ainda maiores quando faltam coisas fundamentais. E, em termos de gestão desportiva, além de bom senso, não só faltou muita coisa como faltou muita coisa na hora em que mais era necessário. Desse ponto de vista, o SL Benfica vem dando preocupantes mostras de não estar orientado para evitar esses buracos. Pior que isso, parece que a solução que se apresenta é tapar os buracos com palavras ocas.
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