O SL Benfica, no jogo contra o Nuremberga (2-2), esteve sempre à espera do momento para ser eliminado. E esse momento chegou, naturalmente, quando o Nuremberga fez o 2-0.
O SL Benfica que esteve em Nuremberga foi uma equipa sem personalidade, comandada por um capitão irreconhecível e treinada por um treinador que cada vez surpreende mais, e a um ponto que se julgava impensável, na sua incapacidade em ler o jogo e em mudar o rumo dos acontecimentos.
Hoje, só a felicidade salvou Camacho, quando Cardozo, a 2 minutos dos 90, num remate feliz – sim, mais uma vez, um remate feliz, como na primeira mão -, colocou o SL Benfica na próxima eliminatória da UEFA. Ou seja, o SL Benfica marcou o 2-1 como poderia ter sofrido o 3-0 e tamanha felicidade tornou-se ainda maior, e mais enganadora, em relação ao que se passou em campo, quando di Maria, num contra-ataque fez o empate a 2.
A satisfação do empate e da passagem à próxima fase dá para tudo menos para embandeirar em arco. Camacho parece ser capaz, de jogo para jogo, de baixar bem abaixo dos mínimos olímpicos. Tardou a substituir e substituiu mal. Não está em causa a qualidade de Sepsi. Mas, a perder por 2-0, com di Maria e Adu no banco, colocar Sepsi em campo é, no mínimo, uma opção muito duvidosa. Não fora a felicidade que entrou na bota de Cardozo, Camacho chegaria, provavelmente, muito mais cedo a Madrid que o SL Benfica, que terá e ir lá para discutir a próxima eliminatória com o Getafe.
A dada altura, o abúlico e irreconhecível Camacho, parecia querer perder o jogo e a eliminatória. E, com a equipa a jogar assim, talvez tenha razão. O SL Benfica arrisca muito em defrontar uma equipa como o Getafe. Sem fio de jogo, sem capacidade de rematar à baliza, sem rasgos individuais, sem concentração, contra uma equipa muito banal, o SL Benfica esteve à beira de um desastre.
Foi mau de mais. E nem o resultado esconde isso.
Esta vontade talvez não fosse de estranhar num treinador de uma equipa que estivesse a sair-se muito bem em todas as competições. E mesmo aí seria mais que improvável. O destino dos treinadores parece ser pedir reforços, sobretudo quando as coisas não correm bem. Mas Hanz Meyer, treinador do FC Nuremberg, não pensa assim. O que parece estranho, pois Hanz Meyer, que há uns meses atrás era aclamado, depois de ter colocado o modesto Nuremberga num brilhante sexto lugar da Bunlesliga e de ter levado a equipa a conquistar a Taça da Alemanha, é dado como o treinador da primeira divisão alemã que maior risco corre de ser despedido.