Depois de tantos, e de tão (espera-se) bons reforços, o SL Benfica encontra-se na ingrata situação de não ter defesas laterais à altura do seu plantel. A questão essencial é saber como pôde a simples lesão de Maxi Pereira, o melhor lateral que actua em Portugal, pôr a nu este drama?
Já se viu e já se sabe, porque Jorge Jesus o disse, que o treinador do SL Benfica não confia a titularidade de lateral direito a Patric, nem a de lateral esquerdo a Shaffer. No caso de Patric, que veio para se adaptar e para fazer concorrência a Maxi, até se percebe. Já no caso de Shaffer a situação é mais difícil de entender. Mas a frase de Jorge Jesus, captada pelos microfones da TV durante um dos jogos da pré-época, não deixa equívocos. Shaffer não tem a sua confiança.
Como ficamos, então? Com a lesão de Maxi Pereira, ou Jorge Jesus entrega as laterais a dois jogadores em que não confia (e que, pior que isso, sabem que ele não confia, perdendo a dose de confiança basilar que qualquer jogador tem de ter para não estar pressionado a cometer erros), o que é pouco provável. Ou contrata até ao final do período de contratações, mas os recursos não abundam e o sentimento de estar a contratar apenas mais um não é nada reconfortante. Ou joga com jogadores adaptados às posições, o que não é de todo grave, já que alguns jogadores do plantel já o fizeram no clube e que, recorde-se, o próprio Maxi Pereira foi adapatado ao lugar de lateral direito. Contudo, não sendo grave, não é o indicado para uma equipa competitiva.
A inclusão de Luís Filipe no plantel parece ser reveladora que Jorge Jesus vai esperar pela recuperação de Maxi Pereira, avaliando entretanto se adapta um jogador do plantel ou se arrisca em Luís Filipe, um jogador que não tem, sabem Jesus e Luís Filipe, a confiança e a paciência dos adeptos.
Na lateral esquerda, é mais que certo que Jesus espera por César Peixoto, um jogador adaptado a lateral que vem de fora do plantel e que, até prova em contrário, tem de mostrar que não é apenas mais um e que é melhor que Shaffer.
O drama, no fundo, é que entre a euforia da pré-época e o realismo exigido pelas contingências de um campeonato longo e com circunstâncias específicas (sobretudo o facto de o SL Benfica ter de jogar muitas vezes contra equipas que estacionam o autocarro e que exploram o contra-ataque) fica a impressão que o SL Benfica não consolidou o seu quinteto defensivo (incluo aqui a questão do guarda-redes, que não me parece resolvida ao ponto de termos garantido um reforço que, por si, valha 10 a 12 pontos numa época) ao ponto de garantir uma competitividade exemplar para a Liga portuguesa.