SL Benfica

08/06/2007

DO BENFICA DESDE PEQUENINO

Arquivado como: O voo da Águia — admin @ 22:39

Há quem seja do Benfica desde que nasceu. Eu não.

Filho de pai sportinguista doente (o primeiro grande derbi que assisti foi um Sporting-Porto), morando a 350 Kms do Estádio da Luz, tinha poucas probabilidades de me tornar Benfiquista. Mas cresci nos anos 1970. Nessa altura o Benfica dominava. Tinha uma grande equipa. Tinha Eusébio, é certo. Mas eu, que me lembre, sou do Benfica desde um momento em que vi o Vítor Baptista marcar um golo do outro mundo. Já vi muitos bons golos depois desse. Mas aquele foi o golo. Lembro-me do Vítor Baptista a correr, festejando numa fúria imparável. Se não houvesse estádio, nem bancadas, nem adeptos nunca teria parado. A não ser, talvez, quando se cansasse. Se se cansava não parecia. O meu benfiquismo nasceu, acho, naquele golo, naquela corrida e naquela fúria.

Quando comecei a gostar de ver futebol, Vítor Baptista estava no final da sua carreira no Benfica. Foi, como se sabe, uma carreira de altos e baixos. Em 7 épocas, Vítor Baptista marcou 64 golos pelo Benfica. Não sei se fez muitos benfiquistas, mas quero acreditar que sim.

Muitos lembrar-se-ão de Vítor Baptista (“o Maior”, como ele se intitulava, “o rapaz dos pés de ouro”, o rapaz do brinco”), pelas suas extravagâncias ou pelos dias amargos do seu fim de vida.

É certo que Vítor Baptista será sempre conhecido por espisódios recambulescos… (more…)

01/06/2007

O PROFISSIONALISMO NO BENFICA

Arquivado como: O voo da Águia — admin @ 02:46

Numa altura em que, em todos os planos, se exige maior profissionalismo (na gestão dos clubes, na carreira dos jogadores, na relação com a imprensa, etc) vale a pena recordar Otto Glória. Um treinador ganhador que levou o Benfica para o profissionalismo. Embora, na altura, com grande celeuma.

Rogério de Carvalho, mais conhecido por Pipi (devido ao seu estilo de galã), ingressou no Benfica em 1942. O Benfica pagou-lhe 16 contos para se transferir. Ao Chelas, seu anterior clube, pagou 10 contos. Pipi valeu ao Benfica todo o dinheiro que custou.

Pipi venceu 6 taças de Portugal e marcou 15 golos nas 6 finais. 4 deles foram marcados num só jogo (em 1951, 5 a 1 à Académica). Contra o Estoril, em 1944 (vitória na final por 8 a 0), Pipi fez 5 golos. Em 1952 (vitória na final contra o Sporting por 5 a 4), Pipi aviou mais 3.

Pipi foi 3 vezes campeão pelo Benfica. Em 1950 conquistou a Taça latina, tendo sido o primeiro capitão encarnado a levantar um troféu internacional. Aos 25 anos (em 1947) tornou-se o primeiro português a ir jogar para o Brasil (Botafogo). Mas não deu certo. Ficou 8 meses e voltou para o Benfica. Saiu do Glorioso em 1954 (com 32 anos), quando Otto Glória obrigou todos os jogadores a tornarem-se profissionais.

 A história que envolve Pipi repetiu-se muitas vezes na história do Benfica. Um treinador estrangeiro a abrir novos caminhos e a ganhar títulos sem fim. Um jogador português que só parecia render no Benfica e que, fora dele, se ia abaixo. Uma saída do clube contra a vontade dos adeptos, mas exigida por imperativos de outra ordem.

28/05/2007

SL BENFICA, POPULAR E PORTUGUÊS

Arquivado como: O voo da Águia — admin @ 12:54

O Benfica tornou-se o maior clube português e mundial por duas razões essenciais.

Não foi apenas por ter ganhado mais títulos e por ter levado o nome de Portugal à Europa e ao mundo. Isso são consequências de duas causas importantes.

O Benfica foi o primeiro clube verdadeiramente popular em Portugal. Esse facto é que explica, entre outras coisas, que o Benfica seja hoje o maior clube do mundo em número de sócios. E nem clubes em países com mais habitantes conseguem esse feito.

O Benfica não se afirmou apenas como popular. Afirmou-se também como a alma de uma Nação. Durante décadas, o Benfica tinha apenas jogadores portugueses nas suas fileiras e a sua chama, abrilhantada pela glória das vitórias, tornou-o grande ao ponto de todos os regimes políticos até hoje se querem sempre aproveitar da amplitude nacional do Benfica. Como alma de uma nação, o Benfica é hoje o espelho de Portugal. Paris ou Joanesburgo, por exemplo, são grandes cidades “portuguesas” e benfiquistas.  Portugal não é só cá dentro. O Benfica também não.

Só somos 6 milhões na cabeça de quem pensa pequeno. Em rigor somos mais. Muito mais. Em 1948 tínhamos 15 mil sócios. Hoje temos 200 mil. Eu também quero chegar aos 500 mil. E, ainda assim, para mim será pouco.

« Newer Posts

Powered by WordPress