Há quem seja do Benfica desde que nasceu. Eu não.
Filho de pai sportinguista doente (o primeiro grande derbi que assisti foi um Sporting-Porto), morando a 350 Kms do Estádio da Luz, tinha poucas probabilidades de me tornar Benfiquista. Mas cresci nos anos 1970. Nessa altura o Benfica dominava. Tinha uma grande equipa. Tinha Eusébio, é certo. Mas eu, que me lembre, sou do Benfica desde um momento em que vi o Vítor Baptista marcar um golo do outro mundo. Já vi muitos bons golos depois desse. Mas aquele foi o golo. Lembro-me do Vítor Baptista a correr, festejando numa fúria imparável. Se não houvesse estádio, nem bancadas, nem adeptos nunca teria parado. A não ser, talvez, quando se cansasse. Se se cansava não parecia. O meu benfiquismo nasceu, acho, naquele golo, naquela corrida e naquela fúria.
Quando comecei a gostar de ver futebol, Vítor Baptista estava no final da sua carreira no Benfica. Foi, como se sabe, uma carreira de altos e baixos. Em 7 épocas, Vítor Baptista marcou 64 golos pelo Benfica. Não sei se fez muitos benfiquistas, mas quero acreditar que sim.
Muitos lembrar-se-ão de Vítor Baptista (“o Maior”, como ele se intitulava, “o rapaz dos pés de ouro”, o rapaz do brinco”), pelas suas extravagâncias ou pelos dias amargos do seu fim de vida.
É certo que Vítor Baptista será sempre conhecido por espisódios recambulescos… (more…)