O MFQ (bomdebola), em comentário ao post anterior teve o dom de me adivinhar o pensamento. Não acredito em adivinhações de pensamento, mas tenho a certeza que se ambos pensámos o mesmo é porque há mais benfiquistas a fazê-lo. E, não tenho dúvidas, há boas razões para isso. Petit merece um post à parte.
Assim, contrariamente à corrente, em vez de comentar o sorteio da Liga dos Campeões, o que farei no post de amanhã, vou voltar ao jogo desta quarta-feira, 29 de Agosto de 2007, em Copenhaga. Andar atrasado justifica-se para elevar Petit ao seu estatuto.
Quando Nuno Gomes, com o jogo a terminar, entregou, por pouco mais que um minuto, a braçadeira de Capitão do SL Benfica, disse para os amigos com quem estava a ver o jogo: “a braçadeira fica muito bem ao Petit”. E fica mesmo. Se, apesar de renovado, o Benfica tem nas suas fileiras jogadores a quem a braçadeira assenta bem, e se apesar de ontem, com a saída de Nuno Gomes, Rui Costa (que está fora da hierarquia de capitães) ainda estava em campo, Petit tem estatuto mais que suficiente para ser o portador da braçadeira.
Antes capitão do Benfica por um minuto que jogador do Gil Vicente ou do Boavista toda a vida (sem menosprezo para os dois clubes que Petit representou anteriormente em Portugal). Na quarta-feira em Copenhaga, nos 90 minutos que jogou sem braçadeira, Petit foi, para mim, o Capitão do Benfica. Camacho pediu garra. Petit teve garra do primeiro ao último minuto e contagiou toda a equipa. Encheu o campo. E mais campo houvesse. Petit estaria lá. Abandonou o jogo saturado com 3 pontos na cabeça e com ironia suficiente para dizer que esses pontos dariam jeito no primeiro jogo da fase de grupos da Champions League.
Petit, aos 31 anos, é um jogador maduro e inteligente. Nesta altura da sua vida não aspira fazer carreira fora do SL Benfica. O seu espírito de entrega, ao clube e aos jogos, também dependem disso. Dessa comunhão de interesses. O SL Benfica é o horizonte de Petit. E Petit está entre os melhores profissionais do SL Benfica. Por isso, Petit está bem onde está.
Petit põe tudo em cada jogo e em cada lance. É assim desde que o conhecemos da época no Gil Vicente. A sua impetuosidade, sobretudo dos seus tempos no Boavista, quando treinado por Jaime Pacheco, levaram-no a aquirir a fama de jogador violento. A verdade é que Petit, considerando a posição onde joga, sempre mais exposta à necessidade em fazer faltas, não é mais amarelado ou avermelhado que outros jogadores que jogam na mesma ou até noutras posições (Mesmo na época 2005-2006, quando viu 14 cartões amarelos e zero vermelhos, Petit não aparece entre os 20 jogadores mais punidos da Liga. Em 2006-2007, com 6 cartões amarelos e um duplo amarelo, Petit ficou ainda mais longe dessa fama). E o mesmo se passa quando Petit joga pela Selecção Nacional.
Muitos, movidos pelo ódio que têm ao SL Benfica, não desistem de apresentá-lo como um jogador que em campo coloca em causa a integridade física dos colegas. Por ser jogador do Benfica, Petit sabe que tem um preço a pagar. Mas Petit sabe mais que isso. Sabe vestir a camisola, arregaçar as mangas, comer a relva quando é preciso, rilhar os dentes, tirar sempre mais um fôlego do pulmão, levar a equipa consigo nos momentos difíceis. E sabe honrar a braçadeira. Na quarta-feira, em Copenhaga Petit não precisou de 90 minutos para mostrar isso tudo. Para Petit, numa humilade tão elástica quanto o pulmão que tem, um jogo do SL Benfica só acaba quando chega a casa. Até lá dá sempre tudo.
PS. Não sei qual o jogador do FC Copenhaga que ficou com a camisola de Petit. Mas sei que ficou com “a minha camisola”.