SL Benfica

27/08/2008

SL BENFICA EM JOGADA DE RISCO

Arquivado como: Contas, Finanças e Bolsa — admin @ 04:00

No seu último ano de mandato, que só não o será se se apresentar a eleições e as vencer, Luís Filipe Vieira opta claramente por uma jogada de risco. A curto prazo, nas contas do clube, os efeitos acabam por sair diluídos. A médio prazo, se a coisa correr mal, o próximo relatório de contas poderá ser, em termos de resultados financeiros, o pior da era Luís Filipe Vieira. Se a coisa correr muito bem, vendendo até Junho de 2009 um jogador por uma verba astronómica, Luís Filipe Vieira, com as opções que tomou, garantirá, no máximo, um ténue equilíbrio das contas.

Pelo que, esta época, ou o SL Benfica obtém resultados desportivos positivos, que permitam receitas de bilheteira e de publicidade significativas, ou que permitam expectativas de receitas a médio prazo (apuramento para a Liga dos Campeões), ou terá uma única e dolorosa solução: gerar receitas extraordinárias através da venda de passes dos seus jogadores, não ao melhor preço, mas o preço que os compradores estiverem dispostos a pagar, já que a solução será de “vender à melhor oferta”.

Neste “defeso”, que ainda não acabou, e que só termina a 1 de Setembro, parecendo que para o SL Benfica só terminará no último minuto desse dia, Luís Filipe Vieira apostou forte. No curto prazo, em termos de contas, considerando o custo dos passes adquiridos e os valores dos salários dos jogadores (ambos dispararam), como já disse, esses efeitos não se vêem em termos de relatórios anuais. Na verdade, Luís Filipe Vieira tem a seu favor a “operação contabilística” que resulta do facto do presente exercício, que tem apenas 11 meses, encerrar em 30 de Junho de 2008.

É curioso que no último relatório trimestral, se apresente esta opção da SAD como sendo potencialmente lesiva dos resultados líquidos do exercício em curso, uma vez que as mais-valias com alienação de direitos desportivos de atletas ocorridas em Julho e Agosto de 2008 só farão parte do exercício de 2008-2009 (a venda de Streten Stretenovic, por 800 mil euros, já entra no exercício de 2007-2008). Sendo verdade, é igualmente verdade que também só a generalidade das despesas com a aquisição de atletas e o respectivo pagamento de salários entrará no exercício de 2008-2009. Como é verdade que as “receitas extraordinárias” decorrentes das mais-valias geradas pela alienação de passes (Nélson, por exemplo) ficam, para já, muito aquém das “despesas extraordinárias” (no exercício de 2008-2009, não entra a generalidade das aquisições: entram as despesas da “aquisição” de Quique Flores, da “re-aquisição” de Leo, de Ruben Amorim, de Ybeda e de Balboa), sem contar com o efeito do aumento da folha salarial.

Significa isto que, ganhando desportivamente, o SL Benfica não precisa de vender os seus melhores jogadores ao desbarato até Junho de 2009. Se não ganhar terá de vender à melhor oferta.

Significa igualmente, como aconteceu em relação à diminuição do passivo em 41 milhões de euros, entre Julho de 2007 e Junho de 2008, possível através da reestruturação do passivo bancário, que o SL Benfica, por força da melhoria global dos seus resultados, tem podido recorrer a operações contabilísticas que adornam os relatórios de contas (trimestrais, semestrais e anuais). Mas esse recurso, face ás opções tomadas neste defeso, esgotou-se.

Restam duas soluções. Ou ser campeão e ir buscar dinheiro dinheiro à Liga dos Campeões. Ou vender jogadores e baixar a folha salarial.

Por isso, só há um caminho. Para já, foi dado um passo em falso.

24/07/2008

BENFICA, PORTO E SPORTING: ACÇÕES AO PREÇO DA CHUVA

Arquivado como: Contas, Finanças e Bolsa — admin @ 00:01

Tendo fechado a valer 2.04€, as acções do SL Benfica são as únicas dos 3 grandes que se mantêm acima dos 2€ por acção, embora já tenham estado abaixo dessa barreira (como se pode ver no gráfico imediatamente abaixo). As acções das SAD’s de Porto e Sporting, há muito, desde Janeiro de 2008, que desceram irremediavelmente abaixo dos 2€, transacionando-se a 1.42€, no caso do Porto, e a 1.53€, no caso do Sporting.

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Dir-se-ia, por isso mesmo, que este é o momento ideal para adquirir acções das SAD’s dos clubes. Na perspectiva de casar o afecto clubístico (dando de barato que a SAD e o clube sejam afectivamente a mesma coisa, embora não o sejam) e a segurança do investimento, o argumento não deixa de ser válido. Todavia, o que a evolução dos valores das acções das SAD’s dos clubes mostra é que este produto tem pouco mais que um valor afectivo.

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Numa altura em que a CMVM persegue ainda investigações sobre os rumores da OPA chinesa ao SL Benfica, não deixa de ser pertinente especular que se as SAD’s dos clubes têm um interesse efectivo enquanto objecto de OPA’s, então, este sim, é um momento apetecível.

 

11/04/2008

NEM TUDO SÃO BOAS NOTÍCIAS NAS CONTAS DO SL BENFICA

Arquivado como: Contas, Finanças e Bolsa — admin @ 00:01

No semestre fiscal que terminou a 31 de Janeiro, O SL Benfica alcançou lucros de 7,7 milhões de euros. No exercício anterior esses lucros tinham sido de apenas 1,1 milhão de euros. Aparentemente são boas notícias. Tanto melhores que isso permitiu uma amortização de 7,5 milhões de euros em passes de jogadores.

Todavia, é preciso ter em conta que esses lucros, que permitiram um resultado positivo de 4,7 milhões de euros no semestre, se devem sobretudo a receitas extraordinárias geradas através da venda de passes de jogadores (12,2 milhões de proveitos na venda de passes, sendo que o SL Benfica comprou, entretanto, Makukula por 3,5 milhões).

As notícias não são tão boas assim porque em termos de receitas ordinárias (aquelas que são mais importantes no longo prazo) , as receitas baixaram, o que levou a um abaixamento das receitas totais de 4%. Esse abaixamento, que se traduziu num volume de 31,6 milhões de euros de receitas totais (menos 3,66% que em igual período do exercício anterior), deveu-se a uma queda de 18% na rubrica “prestação de serviços”. Como os custos com pessoal e os custos com fornecimentos  e serviços de terceiros aumentaram, os resultados operacionais tiveram uma diminuição de 30,34%. A substituição de Fernando Santos por Camacho esteve também na origem do aumento destes custos.

Com o SL Benfica fora das competições europeias e afastado da luta pelo título, as previsões para o segundo semestre são ainda mais pessimistas.

Todavia, é de assinalar que os lucros gerados com as receitas extraordinárias permitiram uma redução do passivo do SL Benfica em 41,5 milhões de euros, tendo o mesmo passado de 156,6 milhões para 115,1 milhões (redução de 26,5%).

10/04/2008

VEM AÍ UMA NOVA OPA AO SL BENFICA?

Arquivado como: Contas, Finanças e Bolsa — admin @ 00:01

O post de hoje e o de amanhã são sobre “Contas, Finanças e Bolsa”.

Não terá passado desapercebido, nem aos mais distraídos, o que ontem se passou com as acções do SL Benfica na Bolsa. Uma movimentação muito estranha que, nem que o SL Benfica tivesse acabado de se sagrar campeão, seria normal.

Em primeiro lugar foi transaccionado um volume anormal de acções (13 mil), a lembrar o volume dos primeiros tempos das acções do SL Benfica na Bolsa. Se a SAD nada tiver a ver com isso, então os especuladores estão no terreno. E se estão no terreno é porque algo se prepara.

Em segundo lugar, as acções chegaram a valorizar num dia 22%, subindo aos 2,48€, para fechar nos 2,19€, com uma valorização  de 8,5%.

Nem mesmo os resultados recentes, que permitiram que o SL Benfica tivesse anunciado 7,7 milhões de euros de lucro no primeiro semestre do exercício (seis vezes mais que em igual período do exercício anterior), justificam esta efervescência em bolsa.

Será que vem lá uma nova OPA ao SL Benfica?

03/04/2008

DO APITO DOURADO AO FISCO

Arquivado como: Contas, Finanças e Bolsa — admin @ 18:00

Num momento em que o apito Dourado se prepara para produzir a mais risível das novelas, o Fisco procura fazer uma investida nas SAD’s dos clubes para travar a fuga ao Fisco.

Mais do que o Apito Dourado, ou aquilo que ele significa em termos de corrupção desportiva, acho importante a intervenção do Fisco no futebol para eliminar práticas de concorrência desleal.

No fundo, muito daquilo que se apresenta como práticas de boa organização dos Clubes não deixa de ser esquemas bem montados de fuga ao Fisco que acabam por permitir uma gestão financeira mais desafogada e menos constrangida em termos de custos.

Dos famosos contratos paralelos, à omissão de declarações de receitas, passando pela manipulação de custos fictício e de facturas falsas, o futebol das SAD’s não e melhor que o pior da nossa economia subterrânea em termos de fuga ao Fisco.

A Inspecção Tributária estima que os empresários dos futebolistas, por exemplo, apenas declaram às Finanças uma décima parte daquilo que ganham. Falo neste pormenor porque se algo tem estado mal no SL Benfica é, sem dúvida, a política de contratações. Aí o SL Benfica parece perder todas as corridas com qualquer clube da sua dimensão. E mesmo este ano, com o SL Benfica activo no mercado de contratações, viu-se agora, nas contas relativas ao semestre fiscal terminado a 31 de Janeiro (falarei disso num próximo post), as luvas declaradas que o SL Benfica teve de pagar para assegurar determinadas contratações.

Nos últimos anos, e esta concorrência desleal não ocorre apenas no plano nacional, além dos já referidos, têm aparecido esquemas engenhosos. Por exemplo, pagamentos em espécie (imóveis, automóveis, viagens, subsídios, etc. para dissimular salários aos jogadores); manipulação de custos através de facturas emitidas em nome de clubes mais pequenos (aos quais se empresta estrategicamente jogadores comprados a preços elevados para acertar contas com empresários), para forjar custos fictícios; Custos forjados através de transacções com sociedades localizadas em paraísos fiscais; Publicidade dissimulada através de donativos fictícios; Um mar de pequenos e engenhosos esquemas.

Sim, o futebol, pelo menos assim o suspeita o Fisco, tornou-se bastante organizado. Nos milhões que movimenta, os apitos são apenas um pormenor da concorrência desleal.

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