No seu último ano de mandato, que só não o será se se apresentar a eleições e as vencer, Luís Filipe Vieira opta claramente por uma jogada de risco. A curto prazo, nas contas do clube, os efeitos acabam por sair diluídos. A médio prazo, se a coisa correr mal, o próximo relatório de contas poderá ser, em termos de resultados financeiros, o pior da era Luís Filipe Vieira. Se a coisa correr muito bem, vendendo até Junho de 2009 um jogador por uma verba astronómica, Luís Filipe Vieira, com as opções que tomou, garantirá, no máximo, um ténue equilíbrio das contas.
Pelo que, esta época, ou o SL Benfica obtém resultados desportivos positivos, que permitam receitas de bilheteira e de publicidade significativas, ou que permitam expectativas de receitas a médio prazo (apuramento para a Liga dos Campeões), ou terá uma única e dolorosa solução: gerar receitas extraordinárias através da venda de passes dos seus jogadores, não ao melhor preço, mas o preço que os compradores estiverem dispostos a pagar, já que a solução será de “vender à melhor oferta”.
Neste “defeso”, que ainda não acabou, e que só termina a 1 de Setembro, parecendo que para o SL Benfica só terminará no último minuto desse dia, Luís Filipe Vieira apostou forte. No curto prazo, em termos de contas, considerando o custo dos passes adquiridos e os valores dos salários dos jogadores (ambos dispararam), como já disse, esses efeitos não se vêem em termos de relatórios anuais. Na verdade, Luís Filipe Vieira tem a seu favor a “operação contabilística” que resulta do facto do presente exercício, que tem apenas 11 meses, encerrar em 30 de Junho de 2008.
É curioso que no último relatório trimestral, se apresente esta opção da SAD como sendo potencialmente lesiva dos resultados líquidos do exercício em curso, uma vez que as mais-valias com alienação de direitos desportivos de atletas ocorridas em Julho e Agosto de 2008 só farão parte do exercício de 2008-2009 (a venda de Streten Stretenovic, por 800 mil euros, já entra no exercício de 2007-2008). Sendo verdade, é igualmente verdade que também só a generalidade das despesas com a aquisição de atletas e o respectivo pagamento de salários entrará no exercício de 2008-2009. Como é verdade que as “receitas extraordinárias” decorrentes das mais-valias geradas pela alienação de passes (Nélson, por exemplo) ficam, para já, muito aquém das “despesas extraordinárias” (no exercício de 2008-2009, não entra a generalidade das aquisições: entram as despesas da “aquisição” de Quique Flores, da “re-aquisição” de Leo, de Ruben Amorim, de Ybeda e de Balboa), sem contar com o efeito do aumento da folha salarial.
Significa isto que, ganhando desportivamente, o SL Benfica não precisa de vender os seus melhores jogadores ao desbarato até Junho de 2009. Se não ganhar terá de vender à melhor oferta.
Significa igualmente, como aconteceu em relação à diminuição do passivo em 41 milhões de euros, entre Julho de 2007 e Junho de 2008, possível através da reestruturação do passivo bancário, que o SL Benfica, por força da melhoria global dos seus resultados, tem podido recorrer a operações contabilísticas que adornam os relatórios de contas (trimestrais, semestrais e anuais). Mas esse recurso, face ás opções tomadas neste defeso, esgotou-se.
Restam duas soluções. Ou ser campeão e ir buscar dinheiro dinheiro à Liga dos Campeões. Ou vender jogadores e baixar a folha salarial.
Por isso, só há um caminho. Para já, foi dado um passo em falso.

