Este é o post que nunca quis escrever neste blog.
Por ironia do destino, seria o centésimo post. Tinha pensado festejar ao chegar ao centésimo post, mas tive de escrever um curto post à parte para que este não fosse o centésimo. Também criei uma categoria à parte só para albergar este post. Chama-se DesReforços e arrisca-se, espero, a não ter muitas entradas. Já este post, presumo, será o mais longo que escrevi até hoje neste blog.
Estou triste com a saída de Simão do Benfica. Mas compreendo e aceito a saída.
Aos benfiquistas não lhe resta outra coisa que não seja racionalizá-la. O que será mais fácil se, entretanto, chegarem reforços de vulto. Luís Filipe Vieira sabe isso. Por isso se disponibizou para uma pequena meia-mentira ao dizer que achava que o substituto já estava no avião. Luís Filipe Vieira sabe que isso não é verdade. Mas, melhor que ninguém, sabe que o substituto tem de entrar rapidamente no avião. Nem que seja preciso empurrá-lo com dinheiro fresco.
O Benfica blindou Simão até onde pôde. Se tivesse saído na época passada para o Liverpool teria saído pelos mesmos 20 milhões de euros que saiu agora. Era preferível, como o Cavém salientou neste blog, que a saída tivesse sido consumada mais cedo. Mas nestas coisas não se escolhe exactamente o momento. O mercado é agitado por milhares de variáveis, todas dinâmicas, e há negócios que ou se fazem ou não se fazem. Com mais tempo, o Benfica poderia ter corrido, por exemplo, atrás de um Christian Wilhelmsson (corrida onde estiveram nos últimos dias o Hamburgo, o Manchester City e o Tottenham, e que o Bolton acabou por levar por cerca de 4 ilhões de euros).
O Porto, por exemplo, não fez o negócio que o Atlético tinha preferido. Comprar Quaresma em vez de Simão. Embora Simão seja mais eficaz que Quaresma, até se percebe a prioridade do Atlético. Quaresma, apesar de mais inconsequente que Simão, faz uns bonitos de encher facilmente os olhos a adeptos, e, sobretudo, é mais novo. Como tem de se perceber a “tenaciade” do Porto em guardar Quaresma. O Porto já vendeu esta época e vendeu bem. O Benfica, apesar de não precisar de vender, ou vendia Simão agora ou ficava com ele até ao final da carreira. O Porto ganhou um capitão e o Benfica perdeu o seu capitão. Mas o deve e o haver só se pode fazer à posteriori. Tudo o que se disser agora serão meras especulações. No futuro, alguém terá sempre razão relativamente ao que disser agora. Como benfiquista, e como alguém que acredita que uma boa equipa vale mais que um grande jogador (embora não se façam boas equipas sem bons jogadores), não posso dizer outra coisa que não seja: mesmo sem Simão o Benfica será campeão. Com Quaresma o Porto não será campeão.
Poder-se-á dizer que, com a saída de Simão, o Benfica não ganhará nada. É uma probabilidade. Ter-se-ia dito o mesmo na época passada se Simão tivesse saído para o Liverpool. Só não se disse porque Simão não saíu. Mas, também é verdade, o Benfica, mesmo com um grande Simão (sem dúvida o melhor da Liga), não ganhou nada.
O Benfica vendeu Simão ao Atlético de Madrid porque Simão quis sair. O início da época passada não nos trouxe o Simão que todos gostamos porque, e a verdade é essa, Simão andava amuado. Não tenho de ver como seria este ano, se fizessemos finca-pé nos 25 milhões e Simão ficasse. Mas esta variável, ainda que nunca venha a ter efeitos, não pode deixar de ser levada em conta. Não lhe posso querer mal por ter querido sair. Qualquer jogador, e Simão por maioria de razões, tem direito a aspirar jogar nas melhores ligas do mundo. Que seja feliz e que faça o Atlético feliz.
O Benfica, na mesma época, faz a maior compra de sempre e a maior venda de sempre. É verdade que esta é o curso natural das coisas. O preço dos jogadores, dos bons e dos maus, vai subindo. Mas ver o Benfica no mercado é bom sinal. Há poucos anos, o Benfica andava no mercado do entra e sai (do entrava barato e saia com indemnização) . Financeiramente, nas compras e vendas, o Benfica fica a ganhar. Desportivamente, pelo menos em aparência, fica a perder. Mas essa é uma análise que, como disse, será sempre especulativa. Financeiramente, o Benfica terá de ir ao mercado gastar os milhões da venda de Simão. Espero que os gaste bem. Estou de olhos no aeroporto da portela.
O Atlético também faz a sua maior compra de sempre. Isso colocará Simão debaixo de forte pressão. Espero que não sai prejudicado por isso. Simão ficaria muito abalado por um segundo fracasso em Espanha. Seria aterrador vê-lo ter um final de carreira desolador. Por tudo o que deu ao Benfica, quero mais para Simão.
Como todos os benfiquistas, estou apreensivo com o direito de opção aos dois jogadores que o Benfica tem sobre jogadores do Atlético de Madrid. Penso que, mesmo achando isso impossível, ninguém afasta o pesadelo dos nomes de Maniche e Costinha poderem vir para o Benfica. Dos dispensáveis do Atlético, admitiria Petrov (que já foi para o Manchester City) e Zé Castro (por ser português, jovem, seleccionável e, sobretudo, dada a situação da defesa do Benfica, por precisarmos de um reforço para o banco). Totte já cá tivemos um e, felizmente, não ficou muito tempo.
Capitão morto, capitão posto. o Benfica não pode chorar muito tempo a saída de Simão. Nuno Gomes passará a capitão e Petit e Luisão serão promovidos na hierarquia. Penso representar o desejo de muitos benfiquistas ao confessar que preferia continuar a vê-los como sub-capitães e entregar a braçadeira a Rui Costa.
Para além do pesadelo da eventual vinda de Maniche ou de Costinha há outras coisas que me desagradam nesta transferência. Simão, que até já fez subir as acções da SAD, merecia um clube melhor. Simão também merecia outro jogo de despedida, e não aqueles 45 minutos que fez contra um certo Cluj. Mas o que mais me desagrada é pensar que Fernando Santos lamentou, no início da época passada, a permanência de Simão (que era dado como certo no Liverpool), dizendo que a permanência o obrigaria a re-escalonar a equipa de outra forma. Ficou com uma boa desculpa para quem não ganhou nada. Este ano, ironia das ironias, tendo dito que seria um pesadelo perder Simão, Fernando Santos já leva uma desculpa de avanço. Pesadelo, mas pesadelo dos grandes, é não ganhar nada em 2007-2008, mesmo sem Simão.