A CMVM multou o SL Benfica em 40 mil euros por ter prestado declarações falsas. Concretamente ao negar que não estava em negociações por Ramires, quando, na verdade, se encontrava a negociar um jogador que viria logo depois a ser contratado pelo SL Benfica.
Não está em causa a justeza da multa. Nem sequer preocupa o valor da mesma, pois, embora 40 mil euros seja muito dinheiro, a verdade é que a CMVM aplica multas bem mais pesadas, como, por exemplo, a que aplicou ao Millennium BCP, no montante de 5 milhões de euros.
A questão mais importante é outra. O que ganha actualmente o SL Benfica em estar cotado em bolsa? Na verdade, pouco, muito pouco. Se a ida para a bolsa foi uma decisão que permitiu um razoável encaixe financeiro, a verdade é que actualmente, nem através de mais valias realizadas com acções, nem através de aumentos de capital, a solução da Bolsa é equacionável, entre as várias que se apresentam, para gerar receitas adicionais.
Acresce que o SL Benfica, sobretudo pela sua exposição mediática, está constantemente sujeito a ser confrontado com eventuais contratações de jogadores, como tem sido particularmente evidente neste defeso, anunciando-se, na imprensa, reforços atrás de reforços, a maioria dos quais, obviamente, nunca se confirma, nem nunca sequer foi uma possibilidade. Por força disso, para não deixar que um bom negócio se estrague, pode ter que negar publicamente, conhecendo as respectivas consequências, como foi o caso, algo que é verdade. Como, por força das circunstâncias, se absterá de dizer o que quer que seja sobre as mentiras das muitas contratações.
A questão é que uma mentira dessas tem consequências financeiras visíveis, embora minoradas se pensarmos que a opção pelo silêncio poderia agravar os custos do negócio em muito mais, ou gorá-lo, quando as “notícias” que não correspondem a factos não têm qualquer tipo de consequências. As autoridades reguladoras não regulam todas da mesma maneira. E algumas não regulam nada bem.