O SL Benfica 0 – Nacional da Madeira 0 arrisca-se a ser o jogo mais longo da época, e isso deve-se a Pedro Henriques. Na verdade, há jogos que nunca acabam. Ou porque foram muito bons, como em 14 de Maio de 1994, ou porque foram trágicos, como a 25 de Janeiro de 2004, ou porque foram verdadeiramente insólitos, como a 22 de Dezembro de 2008.
Pedro Henriques, ao anular o golo a Cardozo no tempo de descontos fez o suficiente para fazer perdurar o jogo muito para lá dos 90 minutos. O facto de ter tido necessidade de não ficar calado, e as explicações que foi dando, fizeram do SL Benfica – Nacional um jogo infindável. Tão mais infindável quanto os 2 pontos que roubou ao SL Benfica se revelarem necessários para chegar ao título.
Pedro Henriques, como qualquer árbitro ou jogador, tem o direito de errar. Mas, mesmo que esteja convencido que apitou bem, Pedro Henriques tinha o dever e a obrigação de ficar calado. Não lhe fica bem, porque perde toda a credibilidade que possa ter como árbitro, fazer perdurar um jogo para lá do estritamente necessário. Neste momento, e sabe-se lá até quando, Pedro Henriques é o único jogador de uma partida sem fim.
Pedro Henriques pode igualmente ter toda a razão do mundo relativamente à regra que diz ter aplicado (que a mão desviou a trajectória da bola). Não pode é agarrar-se a essa explicação esquecendo que um segundo antes não aplicou essa mesma regra em relação a um jogador que, contrariamente a Miguel Vítor não tinha os braços ao longo do corpo. Com uma decisão inexplicável, Pedro Henriques deu horas de descontos. Agora precisa gastá-las todas, e todas nunca chegarão, para se convencer a si próprio que apitou bem. Pior que um árbitro incompetente só mesmo um árbitro que, reconhecendo que errou, quer convencer-se a si e ao mundo, que a razão lhe assiste. Pode até não ter visto o lance no jogo, mas isso não o autoriza a manter explicações que vão contra todas as evidências e, sobretudo, contra as explicações que ele próprio dá.
Não sei o que Nuno Gomes disse nos corredores e, honestamente, gostaria que não o tivesse feito. Mas, independentemente do que disse, não ofendeu mais – nem as regras, nem a educação, nem a ética – que Pedro Henriques ao desfazer-se em explicações contraditórias na praça pública. E se Pedro Henriques não conseguía ficar calado era bom que, quem de direito, o tivesse mandado calar.
Mas, espanto dos espantos, eis que o Presidente da APAF vem criticar que se fale desnecessariamente num jogo no dia seguinte a ele ter terminado nas quatro linhas, com o argumento que o país tem problemas mais sérios com a crise que para aí vai. É verdade que a crise nos deve preocupar a todos. Mas, para a ultrapassar, precisamos de competência e de sentido de responsabilidade. Neste caso concreto, a APAF, se não soube mandar calar, tinha obrigação de ficar calada. E se era para falar, o sentido da intervenção era mais que evidente. Bastaria dizer que os árbitros também erram.