Apoiado no comentário do Vermelhovsky, ao post de ontem volto aqui ao mesmo assunto, abordando-o agora numa perspectiva mais genérica.
É verdade. O FC Porto voltou a perder outra vez. Outra vez em casa. Outra vez de forma inglória. Outra vez revelando a mediania da equipa que possui. Já o disse, o SL Benfica tem este ano condições para atacar decisivamente a conquista do título, não apenas porque tem melhor plantel, mas também porque o FC Porto não tem equipa. Ou tem uma equipa onde se exibem jogadores a fazer lembrar o SL Benfica de Artur Jorge.
É fácil, nesta altura, culpar-se Jesualdo Ferreira e acenar-lhe com lenços brancos. Mas, a não ser que seja o principal ou único responsável pela escolha do plantel, Jesualdo é o menos culpado daquilo que se passa com o FC Porto.
Se, quando as coisas correm bem, é hábito justificar-se a supremacia do FC Porto com a sua superior capacidade organizativa, sendo trivial assumir-se que no FC Porto qualquer treinador se arrisca a ser campeão, então, quando correm mal, a culpa não pode ser do treinador. Nos últimos anos, a organização tem vindo a falhar mais do que era hábito no passado. Não será por acaso e não será pontual. Talvez seja demasiado cedo para anunciar o fim da hegemonia do FC Porto. Mas a verdade é que as condições de excepção, e da gestão financeira irracional que as tem facilitado, que permitiram o prolongamento de uma hegemonia para lá das suas bases reais de sustentação, se começam agora a manifestar na sua forma mais dolorosa para quem se habituou a ver no FC Porto uma máquina imparável.
O tango de uma equipa com 8 argentinos tem sido, este ano, uma manifestação de tanga, que só pontualmente tem sido disfarçada. E se o FC Porto até conseguiu sair bem da passagem por Lisboa, já os resultados mais recentes provam apenas que a organização do FC Porto não foi capaz de construir um plantel competitivo, nem para a Europa, nem para o campeonato português, como, de resto, parece não ser capaz de tirar o melhor que o plantel, apesar de muito limitado, quando comparado com os anteriores, pode dar.
Apesar de tudo, o nível organizativo do FC Porto consegue ainda garantir arbitragens vergonhosas como aquela que Paulo Baptista fez no dragão contra o Leixões, ao facilitar um penalti num momento crucial (o final da primeira parte) em que o FC Porto perdia em casa por 0-2 contra o Leixões. Vergonha que se acentuou, chegando a escândalo, quando, com o resultado em 2-2, Paulo Baptista e sus muchachos invalidam o terceiro golo ao Leixões. Um golo tão limpo como aquele que o Leixões haveria de marcar alguns minutos mais tarde, repondo a verdade do jogo. É certo que nem a habilidosa arbitragem de Paulo Baptista evitou o inevitável, mas o sentimento de impunidade que vem resultando dos diversos episódios do processo Apito Dourado continuará a permitir situações como aquelas que hoje se viram no dragão. E levará, inevitavelmente, à ostracização da arbitragem portuguesa que se vê confinada a uma única indicação para o próximo Mundial, como já aconteceu no último, onde Olegário Benquerença, muito provavelmente, irá fazer de quarto árbitro.
Quando o FC Porto, com ajudas destas, perde em casa contra o Leixões, dá que pensar. Eu, pelas mesmas razões e do mesmo modo que expressei no post de ontem, choraria outra vez de tanto me rir. Mas hoje esse choro é dos bebés.