Portugal, é sabido, tem pretensões a organizar o mundial de futebol, em parceria com a Espanha.
É uma pretensão legítima de um país que, tendo organizado, com sucesso, um europeu, sonha mais alto, visando a conquista de títulos mundiais. Tão mais legítima quanto, com os investimentos feitos para acolher o Europeu de 2004, Portugal se dotou de infraestruturas que convém capitalizar.
Por isso mesmo, se a crise passar, quando passar, é natural que num futuro próximo, como aconteceu no passado recente, o poder político se envolva activamente na promoção deste objectivo.
A questão, para além da óbvia dúvida que suscita a prioridade em Portugal se envolver numa organização deste tipo, dados os investimentos financeiros exigidos, é se Portugal e o futebol português têm credibilidade para que essa aspiração possa ser vista como legítima. A questão está também em saber se clubes como o SL Benfica e o Guimarães não devem colocar-se desde cedo à margem dessa eventual candidatura, reiterando a sua forma de protesto contra instituições desportivas e governativas, que por omissão ou passividade, pactuam com uma corrupção que se mantém arrogantemente impune.
Tenho muitas dúvidas em relação às respostas a essas questões.
Manuel Cajuda pôs hoje, taxativamente, o dedo na ferida ao afirmar que se o futebol português não é capaz de resolver as suas trapalhadas, a UEFA teria obrigação de irradiar os clubes portugueses até que em Portugal se aprendesse a respeitar as regras e as instituições. Embora tardia, como foi tardia a proposta semelhante de Luís Filipe Vieira, esta é verdadeiramente a questão relevante.
Portugal não tem hoje credibilidade para aspirar organizar a mais importante das competições futebolísticas. A organização de um campeonato do mundo não se afigura, por todas as razões e mais uma, como um projecto mobilizador para a sociedade portuguesa. As instituições desportivas e a tutela política são as principais responsáveis por isso. A UEFA, na semana em que se prepara para docilmente conviver com a mentira, obrigando o Guimarães a participar sexta-feira no sorteio da pré-eliminatoóra das champions, “chuta para canto” quando deveria “marcar um golo”. O futebol não tem apenas de ser bonito. Tem de ser sério.