SL Benfica

31/07/2008

VAMOS ORGANIZAR UM MUNDIAL?

Arquivado como: Geral — admin @ 22:47

Portugal, é sabido, tem pretensões a organizar o mundial de futebol, em parceria com a Espanha.
É uma pretensão legítima de um país que, tendo organizado, com sucesso, um europeu, sonha mais alto, visando a conquista de títulos mundiais. Tão mais legítima quanto, com os investimentos feitos para acolher o Europeu de 2004, Portugal se dotou de infraestruturas que convém capitalizar.
Por isso mesmo, se a crise passar, quando passar, é natural que num futuro próximo, como aconteceu no passado recente, o poder político se envolva activamente na promoção deste objectivo.
A questão, para além da óbvia dúvida que suscita a prioridade em Portugal se envolver numa organização deste tipo, dados os investimentos financeiros exigidos, é se Portugal e o futebol português têm credibilidade para que essa aspiração possa ser vista como legítima. A questão está também em saber se clubes como o SL Benfica e o Guimarães não devem colocar-se desde cedo à margem dessa eventual candidatura, reiterando a sua forma de protesto contra instituições desportivas e governativas, que por omissão ou passividade, pactuam com uma corrupção que se mantém arrogantemente impune.
Tenho muitas dúvidas em relação às respostas a essas questões.
Manuel Cajuda pôs hoje, taxativamente, o dedo na ferida ao afirmar que se o futebol português não é capaz de resolver as suas trapalhadas, a UEFA teria obrigação de irradiar os clubes portugueses até que em Portugal se aprendesse a respeitar as regras e as instituições. Embora tardia, como foi tardia a proposta semelhante de Luís Filipe Vieira, esta é verdadeiramente a questão relevante.
Portugal não tem hoje credibilidade para aspirar organizar a mais importante das competições futebolísticas. A organização de um campeonato do mundo não se afigura, por todas as razões e mais uma, como um projecto mobilizador para a sociedade portuguesa. As instituições desportivas e a tutela política são as principais responsáveis por isso. A UEFA, na semana em que se prepara para docilmente conviver com a mentira, obrigando o Guimarães a participar sexta-feira no sorteio da pré-eliminatoóra das champions, “chuta para canto” quando deveria “marcar um golo”. O futebol não tem apenas de ser bonito. Tem de ser sério.

30/07/2008

LAURENTINO DIAS ESTARÁ DE FÉRIAS?

Arquivado como: Geral — admin @ 00:01

No limite, a Federação Portuguesa de Futebol decide-se pelo óbvio, mantém as condenações a Boavista e a Jorge Nuno Pinto da Costa, por corrupção, faz uso da prerrogativa do interesse público e permite que os campeonatos comecem a tempos e horas.

Em suma, a Federação Portuguesa de Futebol cumpre os mínimos olímpicos de permitir que as competições se iniciem, lava as mãos como pode, evita que as penalizações aos corruptores, tirando o caso do Boavista, sejam proporcionais à gravidade dos actos cometidos e fá-lo fazendo uso do “interesse público”. A Federação Portuguesa de Futebol fechou os olhos até onde pôde e só agiu quando o problema, de tão grave e  sério, já não se resolvia por ele próprio.

Isto até é aceitável no mundo do futebol em Portugal, considerando os maus exemplos que nele campeiam e a promiscuidade que o caracteriza.

O que não é aceitável é que a Federação Portuguesa de Futebol beneficie do estatuto de “utilidade pública”, e que o use quando lhe convém, quando não está empenhada em garantir a ordem pública desportiva. Se a gravidade dos actos, uma vez condenada pelos órgãos competentes, não produz efeitos proporcionais em tempo útil, se a Federação foge ao óbvio, há que perguntar onde está a tutela. Onde está a avaliação da propriedade do uso do estatuto de “utilidade pública”?

Laurentino Dias estará de férias?

29/07/2008

A CORRUPÇÃO DÁ-SE MAL COM O PRETO NO BRANCO

Arquivado como: Geral — admin @ 16:00

O Parecer de Freitas do Amaral, não deixa de estar envolto numa oportunidade duvidosa. É oportuno porque reconhece a usurpação de poderes para satisfação de vontades privadas, evidenciando uma corrupção desenvergonhada, e um tráfico de influências despudorado, e porque alerta para a gravidade dos factos, apelando à intervenção da Procuradoria-geral da República. Mas é inoportuno, por culpa que é alheia ao seu autor, na medida em que não produz os efeitos que a gravidade dos factos e o respeito pelo Estado de Direito exigiriam. É natural que Freitas do Amaral, pelos cargos públicos e políticos que exerceu, se sinta incomodado com os factos que analisou. É ainda mais natural que os repudie veementemente. O que vai além de um mero parecer, no documento de Freitas do Amaral, não é mais que o repúdio em relação a uma corrupção tentacular, legitimada pela usurpação de cargos para benefícios privados.

A corrupção dá-se bem com as meias tintas, onde todos são amigos desde que lhes sobre alguma coisa. Ao pôr o preto no branco, Freitas do Amaral granjeou inimigos, mas defendeu o Estado de direito.

É lamentável que o óbvio tenha o seu lado inoportuno e que este lado apenas tenha emergido pela extrema urgência em homologar os resultados da época passada, produzindo efeitos muito aquém do devido. Assim a corrupção continua a estar legitimada.

Parabéns aos corruptos.

28/07/2008

AINDA HÁ TEMPO PARA FAZER UMA EQUIPA?

Arquivado como: Geral — admin @ 20:24

O tempo parece fugir a Quique Flores. Quanto menos tempo há para o início dos jogos a doer, mais tempo parece Quique precisar para fazer uma equipa.

O SL Benfica é, neste momento, uma equipa que parece ser incapaz de ganhar um jogo. E quanto mais esse sentimento se apoderar dos adeptos e dos jogadores, mais difícil vai ser, de facto, ganhar jogos. De momento é fácil aceitar os desaires, mas, mesmo a feijões, no SL Benfica, essa não é uma atitude sustentável. Quique, para além de precisar de fazer uma equipa, precisará em breve de fazer um profundo trabalho de recomposição psicológica de um plantel com falta de auto-estima. Resta saber se Quique está preparado para aguentar esse esforço e para ter essa paciência. Resta também saber quem será o principal acusado. Eu mantenho a aposta que fiz aqui.
Há, neste momento, demasiada ansiedade que prejudica individual e colectivamente o plantel. Com tanto jogador para dispensar, e tão poucas oportunidades para avaliar qualidades e defeitos, é normal que o habitual esforço de início de época, que se destina a mostrar ao treinador que se é um jogador em ter em conta para a composição do onze inicial, se converta num esforço nervoso de quem tem receio em errar com medo de isso significar a sua saída do plantel. E, já se sabe, quem tem medo de errar, normalmente, erra.

Aconteceu hoje a Edcarlos. O brasileiro viu o seu futuro e não gostou. Na verdade, é profundamente irónico que haja jogadores que se arriscam a ficar no plantel só porque os que mais jogam, e que, pelos erros que cometem, dão mostras de não estar à altura, tiveram o azar de ser colocados a jogar. Acho que Edcarlos, independentemente do jogo de hoje, na derrota contra o Sporting por 0-2, independentemente dos seus dois erros clamorosos, não tem lugar no SL Benfica. Mas não deixa de ser irónico se Edcarlos partir e Zoro ficar, só porque o brasileiro teve o azar de ter entrado em campo. Neste momento, repito, parece haver mais jogadores passíveis de ser dispensados que o numero grupo que terá de deixar o plantel.

Igualmente por ironia, é lamentável constatar que jogadores chegados como reforços pareçam dar mostras de não serem reforços de facto. Por regra, a quantidade é inimiga da qualidade. O SL Benfica comprou alguns jogadores que podem ser reforços, mas nota-se alguma mediania. Por exemplo, Ruben Amorim pareceu-me um erro de casting desde o início. Até agora nada fez que me convencesse do contrário. Jorge Ribeiro, tendo qualidades, pode ser mais um, mas dificilmente será um reforço que capaz de elevar a qualidade global da equipa. Noutro plano, Bynia tanto parece ser capaz de fazer o óptimo como de passar ao péssimo, perdendo a bola de forma comprometedora, ou gerando desnecessariamente riscos de colocar a equipa a jogar em inferioridade numérica.

Por força do nervosismo instalado, mas não só por isso, há jogadores intempestivos a mais neste SL Benfica (Bynia, Carlos Martins, Makukula). Este facto é passível de ser gerador de grandes amargos de boca para Quique Flores.

É preciso estabilizar o grupo dos 25 jogadores rapidamente. É urgente definir um onze base e pô-lo a rodar. É preciso ter coragem, se preciso for, para emprestar jogadores chegados como reforços. Num plantel com tantos jogadores novos esperar-se-ia que a estabilidade pudesse ser encontrada na defesa, uma vez que ela mantém a sua estrutura. Mas é, precisamente, aí que o clube mais treme. Edcarlos viu o seu futuro e não gostou. Mas os adeptos benfiquistas que viram o futuro próximo ficaram tão apreensivos quanto Edcarlos. Pelo menos eu estou apreensivo. E não é deste jogo.

27/07/2008

A QUIQUE O QUE É DE QUIQUE. AO SL BENFICA O QUE É DO SL BENFICA.

Arquivado como: Geral — admin @ 20:22

Quique Flores tem muito trabalho pela frente. Mais do que ninguém ele sabe que tem um plantel muito aceitável para treinar, mas sabe que ainda não tem uma equipa.

Quique Flores sabe igualmente que o SL Benfica parte atrás do FC Porto. Não tão atrás, porém, que Quique não queira colocar já o SL Benfica ao lado, ou mesmo à frente do Sporting. A política de contratações, o esforço do SL Benfica para dar a Quique os jogadores que ele quer, o esforço que já deu frutos e o que ainda está a ser levado a cabo por Rui Costa, obrigam Quique a ser mais ambicioso que aquilo que a equipa é capaz de mostrar neste momento. Mas não tão ambicioso que o levem a prometer o que dificilmente pode alcançar. O SL Benfica de Quique é um SL Benfica em construção. Não se faz de um dia para o outro. Haja paciência porque vai ser precisa (não o digo pelo jogo de ontem).

Quique Flores pode ter razão quando não coloca o Sporting no mesmo plano. Tê-la-á. Mas também em anos anteriores, o Sporting não estava no mesmo plano e fez melhor que o SL Benfica. E isso devido a factores que Quique Flores não controla, que tenderá dificuldade a controlar no médio prazo, e que se manifestarão aos primeiros dissabores. A coisa não começou bem com a história dos adjuntos. A aproximação do momento eleitoral no SL Benfica pode apenas piorar as coisas.

Ser o maior clube de Portugal em tempo de vacas magras não ajuda nada. O lado negro da grandeza ainda não foi sentido por Quique Flores.

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