Baseando-me nos documentos oficiais de “Relatório e Contas” de Benfica, Porto e Sporting, lanço um primeiro olhar às contas das SAD’s dos clubes relativas a 2006-2007. Neste post analiso sobretudo a dimensão das receitas. Deixarei outra dimensões para posts a publicar brevemente.
Tinha já assinalado, no mês passado, que as contas dos três grandes tinham registado melhorias relativamente ao exercício anterior (evolução positiva dos resultados operacionais). Procedo agora a um desenvolvimento desse post, concentrando-me sobretudo no SL Benfica e notando que a definição de rubricas e a metodologia de elaboração dos “Relatórios e Contas” dos 3 grandes nem sempre permite uma comparação adequada. Como, de resto, a estrutura organizativa de cada SAD, e a organização do universo empresarial, torna impossíveis comparações exactas em matéria, por exemplo, de receitas de publicidade e de receitas de bilheteira. Além de que, como é natural, cada SAD procura ressalvar no seu relatório os aspectos mais favoráveis à gestão.
Em termos de receitas é de notar que FC Porto e Sporting CP têm uma estrutura de receitas parecida uma com a outra e que a do SL Benfica é claramente diferente. Falando apenas dos Proveitos Operacionais (o que exclui as receitas extraordinárias obtidas através da venda de jogadores), é assinalável que os clubes venham demonstrando alguma capacidade em aumentar esses proveitos (mas pouco; no SL Benfica o aumento foi inferior a 1%). Neste campo, as grandes diferenças situam-se na captação de receitas televisivas, com o FC Porto e o Sporting a terem resultados assinaláveis, na ordem, respectivamente, de 7 milhões/ano e 9 milhões/ano. Já o Benfica, por força dos negócios passados com a Olivedesportos, contabilizou no exercício menos de 10% do total das receitas de direitos de transmissão geradas pelo Sporting CP.
Onde o SL Benfica se destaca do FC Porto e do Sporting CP, em termos de proveitos operacionais, é no volume de receitas gerado através de quotizações de associados. Mais de metade (54%) dos proveitos operacionais do SL Benfica são conseguídos por essa via, o que significa que o SL Benfica gera cerca de 14 milhões anuais em receitas com quotas de sócios, contra cerca de 4 milhões do FC Porto e igual montante do Sporting CP.
Já em termos de receitas extraordinárias (vendas de passes de jogadores) o Sporting CP e o FC Porto geraram, cada um, cerca de 25 milhões de euros, sendo irrisório, quando comparado com esses montantes, o volume de receitas extraordinárias gerado pelo SL Benfica. De notar (lembrando que a venda de Simão Sabrosa será contabilizada no próximo exercício) que parece confirmar-se um certo padrão para que o peso das receitas extraordinárias no total dos proveitos (proveitos operacionais mais proveitos e ganhos extraordinários) seja cada vez mais elevado. O que mostra que os clubes portugueses parecem ter caído nesta dependência, embora ela não seja tão acentuada no SL Benfica. Assim, no exercício de 2006/2007, o peso das receitas extraordinárias (vendas de passes de jogadores) nos proveitos totais do Sporting CP foi de quase 40% e no FC Porto de quase 35%.
Relativamente ao exercício anterior (2005/2006), o SL Benfica aumentou as receitas ordinárias em 123 mil euros e as extraordinárias em 226 mil euros (ainda assim, no SL Benfica, estamos a falar de menos de 2 milhões de euros de receitas extraordinárias). Mas vale a pena olhar para as rubricas das receitas ordinárias (proveitos operacionais) para ver onde é que o SL Benfica melhorou e piorou, pois os 123 mil euros de aumento são o resultado de rubricas que evoluíram positivamente e de rubricas que evoluíram negativamente. Assim, o SL Benfica aumentou as receitas ordinárias com quotas de associados em 771 mil euros e beneficiou de um aumento de 1 milhão de euros em royalties (valor pago pela Benfica Estádio à SAD). Já os montantes recolhidos com as quotas facultativas para as modalidades conheceram uma evolução negativa, tendo diminuído em 208 mil euros. E as receitas de publicidade em 665 mil euros.
Já o Sporting CP viu, em termos de proveitos operacionais, diminuir as suas receitas fundamentalmente na rubrica das quotas de associados (menos meio milhão de euros que no ano anterior) e também em termos de bilheteira regular (embora isso tenha sido claramente compensado pela venda de bilhetes de época, que é uma rubrica em que o SL Benfica obtém pior resultados que os seus adversários).
O FC Porto melhorou na generalidade das rubricas os seus proveitos (que passaram de 45 milhões anuais para 73 milhões, 47 milhões se excluirmos a venda de jogadores), mas manteve custos operacionais elevados (de quase 65 milhões, que no exercício anterior tinham sido de 71 milhões. Os custos com pessoal (incluindo salários de jogadores representam metade desses custos). Contudo no relatório e contas da SAD portista, as receitas de bilheteira (que aumentaram de 12 milhões para 14 milhões) incluem a parte da quotização, o que dilui a perda de receitas resultante da diminuição de associados, que foi compensada por um aumento das quotas a partir de Janeiro de 2006.
