Foi muito pouco jogo para tanto derbi. Apesar de tudo foi um jogo razoável que acabou com um resultado justo.
Poder-se-ia esperar mais. Eu, pelo menos, esperava mais do SL Benfica. Mas o resultado sem golos acaba por traduzir aquilo que SL Benfica e Sporting valem em relação à época passada. E, do meu ponto de vista, independentemente da desvantagem pontual em relação ao FC Porto, e tendo apenas assistido a este jogo do Sporting CP esta época, os dois clubes valem claramente menos em relação a igual período da época passada. Ainda não vi nenhum jogo do FC Porto, embora 6 vitórias seguídas tenham de significar algo, mas o que já vi de SL Benfica esta época e o que vi hoje de Sporting, me tenha sintonizado mais com o realismo de José Antonio Camacho. Lutar pelo segundo lugar pode mesmo ser um fatalismo.
No SL Benfica, e também no jogo, Rui Costa mostrou, uma vez mais, ser um jogador de uma classe muito acima da média da Liga BWIN. Mesmo em final de carreira, Rui Costa é melhor que os demais. Cristián Rodriguez, mesmo quando não faz nada de especial, é um jogador que dá gosto ver jogar pela entrega que põe no jogo. A atacar e a defender. Foi impressionante vê-lo dar tudo até rebentar. Angél di Maria, em contrapartida, sendo um virtuoso, revelou mais uma vez a inconsequência do seu virtuosismo. Faltando-lhe a tarimba que necessita para vingar no futebol europeu, precisando de jogar mais concentrado e de se empenhar mais a defender, di María consegue criar lances fantásticos que aflitivamente não resultam nem em remates, nem em assistências. Freddy Adu merece ter mais oportunidades.
Em teoria, o Sporting está a ter uma boa prestação na Liga BWIN. É verdade que vai a 7 pontos do FC Porto. Mas também é verdade que já jogou no Dragão, já jogou na Luz e que o FC Porto ainda não escorregou. De igual modo, o SL Benfica, que ainda não perdeu na Liga BWIN e que só sofreu um golo na competição, parece estar a fazer uma boa prestação. Mas 8 pontos de atraso e duas vitórias em 6 jogos não deixam margem para sonhar realisticamente com o título.
A partida com o Sporting CP foi o jogo da mão, do pé e da cabeça.
A mão de Katsouranis, que, tendo sido mais mão que aquela que deu o penalti ao SL Benfica na Amadora, só justifica a iniciativa do Fiscal de Linha por razões que nada tinham a ver com o jogo da Luz. Se tivesse sido marcado um penalti que ninguém viu e que ninguém pediu seria o segundo penalti mais mal marcado das competições futebolísticas portuguesas de 2007-2008.
O pé de Moutinho, no derrube na área do Sporting CP a Freddy Adu. Embora no estádio me tenha parecido inequivocamente penalti, e tenha confirmado essa impressão nas imagens televisivas, aceito que, na sequência do desentendimento entre o Árbitro e o Fiscal de Linha, a um minuto do fim, o Árbitro não tenha assinalado (mesmo tendo visto).
Foi um jogo que correu mal ao Árbritro por duas razões. Pelo protagonismo que o seu Fiscal de Linha quis assumir para limpar erros de arbitragem que não eram dele nem tinham nada a ver com o jogo da Luz. Pelo azar que teve em não estar em condições para, com o jogo a acabar, marcar um penalti flagrante e que ele viu. Contudo, se tivesse assinalado penalti em qualquer um dos lances, no da mão de Katsouranis ou no do pé de Moutinho, o Árbrito seria a figura do jogo e seria ainda mais criticado que aquilo que vai ser.
A mão de Katsouranis, o pé de Moutinho e a cabeça de Paulo Bento. Paulo Bento é, para mim, a figura do jogo. Depois de ter passado 3 dias a fazer pressão sobre a arbitragem, assobiando para o lado em relação às queixas que Carlos Carvalhal fazia em relação à arbitragem do Sporting CP – Vitória de Setúbal, Paulo Bento veio falar da falta de vergonha de quem dirige os jogos e de quem dirige os árbitros. Eu teria vergonha de ter um treinador como Paulo Bento a treinar o SL Benfica. Será tão lesto a pedir desculpas como foi a exigir ao Árbrito que venha pedir publicamente desculpas? Como dizia o outro, é perigoso ser sincero a não ser que se seja insensato. Não ser sincero, mesmo por ignorância, e insensato ao mesmo tempo é profundamente ridículo.
