SL Benfica

31/08/2007

ARMANDO GONÇALVES TEIXEIRA, FAZ RESPIRAR O SL BENFICA

Arquivado como: O voo da Águia — admin @ 01:01

O MFQ (bomdebola), em comentário ao post anterior teve o dom de me adivinhar o pensamento. Não acredito em adivinhações de pensamento, mas tenho a certeza que se ambos pensámos o mesmo é porque há mais benfiquistas a fazê-lo. E, não tenho dúvidas, há boas razões para isso. Petit merece um post à parte.

Assim, contrariamente à corrente, em vez de comentar o sorteio da Liga dos Campeões, o que farei no post de amanhã, vou voltar ao jogo desta quarta-feira, 29 de Agosto de 2007, em Copenhaga. Andar atrasado justifica-se para elevar Petit ao seu estatuto.

Quando Nuno Gomes, com o jogo a terminar, entregou, por pouco mais que um minuto, a braçadeira de Capitão do SL Benfica, disse para os amigos com quem estava a ver o jogo: “a braçadeira fica muito bem ao Petit”. E fica mesmo. Se, apesar de renovado, o Benfica tem nas suas fileiras jogadores a quem a braçadeira assenta bem, e se apesar de ontem, com a saída de Nuno Gomes, Rui Costa (que está fora da hierarquia de capitães) ainda estava em campo, Petit tem estatuto mais que suficiente para ser o portador da braçadeira.

Armando Gonçalves Teixeira, PetitAntes capitão do Benfica por um minuto que jogador do Gil Vicente ou do Boavista toda a vida (sem menosprezo para os dois clubes que Petit representou anteriormente em Portugal). Na quarta-feira em Copenhaga, nos 90 minutos que jogou sem braçadeira, Petit foi, para mim, o Capitão do Benfica. Camacho pediu garra. Petit teve garra do primeiro ao último minuto e contagiou toda a equipa. Encheu o campo. E mais campo houvesse. Petit estaria lá. Abandonou o jogo saturado com 3 pontos na cabeça e com ironia suficiente para dizer que esses pontos dariam jeito no primeiro jogo da fase de grupos da Champions League.

Petit, aos 31 anos, é um jogador maduro e inteligente. Nesta altura da sua vida não aspira fazer carreira fora do SL Benfica. O seu espírito de entrega, ao clube e aos jogos, também dependem disso. Dessa comunhão de interesses. O SL Benfica é o horizonte de Petit. E Petit está entre os melhores profissionais do SL Benfica. Por isso, Petit está bem onde está.

Petit põe tudo em cada jogo e em cada lance. É assim desde que o conhecemos da época no Gil Vicente. A sua impetuosidade, sobretudo dos seus tempos no Boavista, quando treinado por Jaime Pacheco, levaram-no a aquirir a fama de jogador violento. A verdade é que Petit, considerando a posição onde joga, sempre mais exposta à necessidade em fazer faltas, não é mais amarelado ou avermelhado que outros jogadores que jogam na mesma ou até noutras posições (Mesmo na época 2005-2006, quando viu 14 cartões amarelos e zero vermelhos, Petit não aparece entre os 20 jogadores mais punidos da Liga. Em 2006-2007, com 6 cartões amarelos e um duplo amarelo, Petit ficou ainda mais longe dessa fama). E o mesmo se passa quando Petit joga pela Selecção Nacional.

Muitos, movidos pelo ódio que têm ao SL Benfica, não desistem de apresentá-lo como um jogador que em campo coloca em causa a integridade física dos colegas. Por ser jogador do Benfica, Petit sabe que tem um preço a pagar. Mas Petit sabe mais que isso. Sabe vestir a camisola, arregaçar as mangas, comer a relva quando é preciso, rilhar os dentes, tirar sempre mais um fôlego do pulmão, levar a equipa consigo nos momentos difíceis. E sabe honrar a braçadeira. Na quarta-feira, em Copenhaga Petit não precisou de 90 minutos para mostrar isso tudo. Para Petit, numa humilade tão elástica quanto o pulmão que tem, um jogo do SL Benfica só acaba quando chega a casa. Até lá dá sempre tudo.

PS. Não sei qual o jogador do FC Copenhaga que ficou com a camisola de Petit. Mas sei que ficou com “a minha camisola”.

30/08/2007

SL BENFICA NA LIGA DOS CAMPEÕES

Arquivado como: Liga dos Campeões — admin @ 00:01

FC Kobenhavn SL BenficaO SL Benfica ganhou os dois jogos da terceira pré-eliminatória ao FC Kobenhavn. Mais do que isso, ganhou tempo e oportunidade para crescer como equipa. Esta equipa, com o talento acumulado que tem, precisa da Liga dos Campeões para crescer.

Não poderia ter sido melhor. Por muito que os franco-atiradores, que a cada esquina estão sempre prontos a atirar sobre SL Benfica, venham dizer sobre as fragilidades da equipa, o SL Benfica ganhou bem. Muitos desses franco-atiradores poderão dizer que o FC Kobenhavn é uma equipa muito frágil e que o SL Benfica tinha obrigação de ganhar sem tremer tanto. Outros poderão dizer que o SL Benfica só passou porque teve a sorte do seu lado. Acima de tudo, num momento difícil para uma equipa que ainda está em construção, acho que o SL Benfica passou porque queria passar. Isso viu-se hoje em Copenhaga. O desejo dos jogadores, dos mais jovens aos menos jovens, não era diferente do da massa adepta. Todos queríamos estar amanhã no sorteio das 17 horas.

Sim, a equipa revelou fragilidades, mas mostrou ser capaz de sofrer e de crescer. Sim, a equipa foi feliz. Mas é muito mais fácil ser feliz no fim quando se dá tudo. Hoje os jogadores do SL Benfica deram tudo. E, além disso, como no futebol moderno, onde os pequenos pormenores fazem a diferença entre os que vão mais além e os que ficam pelo caminho, ganhamos com um golo de laboratório, marcado da primeira vez que fomos à baliza. De “bola parada”, mas a mexer-se, em direcção ao fundo das redes, com uma graciosidade de encher os olhos. A felicidade, quando aparece assim, não aparece por acaso.

Os jovens do SL Benfica têm talento. Mas têm também exemplos. E muito bons. Rui Costa na primeira mão e Petit na segunda.

Amanhã é o dia 31 de Agosto de 2007. O mercado fecha até Dezembro. É tempo de crescer. Na Liga BWIN e na Champions League.

29/08/2007

SL BENFICA, QUANDO AS SOLUÇÕES SÃO O PROBLEMA

Arquivado como: Geral — admin @ 01:37

O SL Benfica joga esta noite aquele que, para já, é o jogo mais importante da época. Num Parken Stadium esgotado, contra um FC Kobenhavn motivado, o SL Benfica não joga apenas a entrada na Champions League.

A saga das saídas e das entradas, incluindo os corpos técnico e directivo, no Benfica 2007-2008 tem sido inesperada.

Ao chegar, mesmo quando se esperava que o SL Benfica tivesse o plantel fechado, ou quase fechado, José Antonio Camacho disse: “poucos e bons”. Não vou aqui desfazer de Maxi Pereira, de Cristian Rodriguez ou de Edcarlos. Longe disso. Todos eles são jogadores internacionais de países que já foram campeões do mundo. Tirando Maxi Pereira, proveniente de um clube razoavelmente desconhecido e com um nome caricato (Defensor Sporting), Cristian Rodriguez e Edcarlos (além de serem mais dois jovens) provêm de clubes reconhecidos que estão entre os melhores da Conmebol: o Club Atlético Peñarol e o São Paulo Futebol Clube. Além destes, porque José Antonio Camacho assim o disse, espera-se ainda um avançado.

“Poucos e bons” será, para o crescente número de críticos de Luís Filipe Vieira, mais uma promessa vã. Afinal, quatro não são assim tão poucos e “bons”, para os exigentes adeptos benfiquistas, que sonham ver o Benfica a contratar como os actuais colossos do futebol europeu, nunca o serão face aos nomes (e aos milhões) que chovem no mercado. Apesar de tudo, qualquer um destes jogadores, se contratados por FC Porto ou Sporting CP, seriam consideradas grandes contratações. Dariam de certeza certo. E, sem qualquer dúvida, estariam a ser vendidos por 10 vezes mais, daqui a um ano. Apesar de tudo, mesmo sem significar que, no imediato, isso possa ser sinónimo de sucesso, o Benfica pode chegar ao final da época de tranferência com investimentos em contratações que, somados, ultrapassam os dos restantes membros da Liga BWIN.

Confesso que mais que esta onda de contratações inesperadas, porque o mercado, em geral, é assim, me preocupa o efeito de corrosão de estrutura de uma equipa que, tendo ganho menos que o que desejamos, foi capaz de crescer nos últimos anos e foi capaz de tirar o SL Benfica de uma rota descendente. É sempre melhor ter bons jogadores que não os ter e o SL Benfica fez boas contratações esta época. Mas ter bons jogadores não é o suficiente para ter uma boa equipa. Com o mercado a fechar, diria que o SL Benfica contratou, ao contrário da receita de José Antonio Camacho, muitos e bons.

Para o problema da falta de títulos esta não parece ser a solução mais adequada. Pode dar certo, mas é arriscada. Também é verdade que nunca daria certo sem um treinador com pulso firme. Aí estamos bem servidos. Para o problema do mau início de época, a solução de lançar as promissoras contratações às feras também me parece ser um problema em vez de uma solução. Por exemplo, Freddy Adu pagou demasiado cara a sua entrada a cru contra o FC Kobenhavn. Oscar Cardozo pode vir a pagar cara uma espécie de “fio de jogo” sem “modelo de jogo” que tem feito dele uma espécie de remédio para uma doença que não se sabe exactamente qual é. Nesta senda, a próxima solução será sempre o jogador que ainda não jogou. Di Maria, até jogar. Depois dele, porque Di Maria não nos pode dar o céu e a Terra, embora seja um excelente jogador, talvez Cristian Rodriguez, ou Maxi Pereira, ou o tal avançado que “marque golos”. Soluções dessas são um problema.

A verdadeira solução está no jogo colectivo. Até agora, o SL Benfica tem tido dificuldade em construí-lo. Os rumores que correm sobre a importância do jogo de hoje com o FC Kobenhavn fazem adensar as dúvidas. Segundo esses rumores, a Juventus terá feito uma proposta por Luisão, oferecendo em troca dinheiro e Boumsong, e o Manchester City quer levar Nuno Gomes. Num e noutro caso, os rumores apontam para a saída dos Luisão e de Nuno Gomes se o Benfica falhar a entrada na Champions League. Se isso acontecer, o tal ponta de lança que “marca golos” não será tão sonante (nem em nome nem em números) como o ponta de lança que virá para “marcar golos”. Mas algum há-de vir, nem que seja para revelar que, às vezes, as soluções são o problema. Por todas as razões e mais duas, hoje quero ganhar ao FC Kobenhavn. Se pudesse ser com um golo do Nuno Gomes tanto melhor.

28/08/2007

NOTAS SOLTAS SOBRE O BENFICA FC

Arquivado como: Geral — admin @ 12:30

Primeira Nota 

O Benfica FC tem a maior honra em participar na iniciativa promovida pelo VERMELHOvsky: o RANKING VERMELHOvsky. Este ranking conta com a participação de vários leitores do Vermelhovsky e destina-se a avaliar as exibições dos jogadores e treinador do Benfica ao longo da época. Comparações com avaliações de “jornais de referência” é mera coincidência. Os primeiros resultados estão já disponíveis aqui e resultam da avaliação de 8 leitores.

Segunda Nota 

O Benfica FC ama o Sporting Lisboa e Benfica em toda a sua dimensão eclética. Se nunca escrevemos nada neste blog que não tivesse apenas a ver com o futebol profissional do SL Benfica, isso deve-se à curta existência deste blog (fizémos esta semana 3 meses). Sempre desejámos que, por razões que para nós são óbvias, o primeiro post sobre algo que não tivesse a ver com o futebol profissional seria consagrado a Vanessa Fernandes. Continuamos a pensar assim. Mas, numa nota de rodapé, porque 17m,74cm são 17m,74cm, porque Portugal tem um campeão do mundo, e porque é atleta do Benfica, ficam aqui os PARABÉNS AO NÉLSON ÉVORA.

Terceira Nota 

Temos recebido alguns e-mails a perguntar o que é e porque usamos a Barra de Ferramentas do Alexa. Sobre isso já colocámos, em nota-de-rodapé, alguma informação aqui. O uso desta ferramenta, como o Blog tem gerado um tráfego assinalável, tem ao mesmo tempo permitido melhorar o nosso ranking, melhorar igualmente a nossa indexação nos motores de pesquisa, assim como dos blogs que têm links no Benfica FC. Consequentemente, isso tem gerado alguma procura de oportunidades de publicidade no blog. Na versão inglesa do blog temos aproveitado essas oportunidades. Abrimos recentemente a possibilidade de algums dessas oportunidades também poderem ser usadas na versão portuguesa.

Triplo Salto para o Ouro

27/08/2007

A POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DO SL BENFICA

Arquivado como: Geral — admin @ 00:01

A presença do engenheiro Fernando Santos no programa da RTPN “Trio de Ataque” colocou em destaque a suposta falta de uma política de comunicação no SL Benfica. De acordo com o engenheiro, a falta de um gestor de comunicação tê-lo-á exposto em demasia, o que não é o melhor para preservar a imagem de um treinador, na medida em que isso contribui para um desgaste desnecessário. A questão que Fernando Santos colocou, relativa à inexistência de uma política de gestão da comunicação institucional, é relevante e merece algum debate. Procuro fazê-lo aqui, começando por contar uma pequena história entre um engenheiro e um gestor.

Um dia, ia um homem a voar de balão quando, às tantas, percebe que se perdeu. Então, decide baixar de altitude e gritar para outro homem que estava na estrada por baixo do balão: “Por favor, pode ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontrava com ele há meia hora atrás, mas não sei onde estou!” O homem que estava em baixo disse: “Sim posso ajudá-lo. Você está num balão de ar quente, aproximadamente a 5o metros do chão. Está entre os 38 e os 40 graus de latitude norte e entre os 56 e 58 graus de longitude oeste.” E responde o homem do balão: “Você deve ser engenheiro.” “Pois sou”, respondeu-lhe o homem cá em baixo. “Como é que sabe?” “Bem, disse o homem do balão, tudo o que você me disse está tecnicamente correcto, mas continuo a não fazer a mínima ideia do que fazer com essa informação, e o facto é que continuo a estar perdido.” Então o homem cá em baixo respondeu: “Você deve ser gestor.” “E sou”, respondeu o homem do balão. “Mas, como é que você sabe isso?” “Bem, diz o homem cá de baixo, “você não sabe onde está e nem sequer sabe onde vai. Você fez uma promessa que não tem a certeza de poder cumprir, e, ainda por cima, você está à espera que eu lhe resolva o seu problema. A verdade é que, apesar de estarmos a falar há 10 minutos, você está exactamente na mesma posição em que estava antes de nos conhecermos, mas agora parece que a culpa de você estar perdido é minha.

Esta pequena anedota sobre gestores e engenheiros permite discutir a suposta inexistência de uma política de comunicação no Benfica. Mas permite também discutir o papel de um treinador nessa política de comunicação. Voltarei a esta anedota mais abaixo.

A área das relações públicas é hoje uma área vital nos clubes-empresa, como o é na generalidade das organizações, tenham ou não fins lucrativos. Dentro dessa área das relações públicas, com maior ou menor autonomia, a política de comunicação é bastante importante. Uma política de comunicação e uma política de relações públicas têm uma forte carga institucional. O SL Benfica, por ser uma das maiores instituições tem forçosamente de ter uma política nesses domínios. Aliás, clubes como o SL Benfica, estando sujeitos a uma forte exposição na imprensa, sabem que qualquer acto, ou qualquer silêncio em relação a um boato, já é, em si, um acto comunicativo. Ficar calado parece valer muito mais que 10 mil palavras (se uma contratação não é negada é porque deve ser verdadeira – embora o SL Benfica precisasse de um gestor só para estar a negar as falsas contratações que se anunciam). Por maioria de razões, esta é de facto, como disse o engenheiro, uma dimensão que o SL Benfica não pode descurar. Mas isso não significa uma concordância minha com aquilo que ele disse no “Trio de Ataque”. Muito longe disso.

Fernando Santos, na sua dor contida, na sua compreensiva revolta interior, e na inteligência que lhe reconheço, lançou uma farpa (diga-se que justa e bem medida) a Luís Filipe Vieira, tocando, ao fazer uma comparação com Jorge Nuno Pinto da Costa e com o FC Porto, onde mais dói ao Presidente do Benfica. O que Fernando Santos disse é que muitas vezes, ao contrário de quando treinava o FC Porto, se viu a falar sozinho, quando seria de esperar uma presença institucional que o protegesse a ele treinador e aos jogadores. Ao dizer isso, e cobrindo o seu ponto de vista com a capa de “crítica construtiva”, Fernando Santos tocou num dos pontos onde Luís Filipe Vieira tem actuado com maior fragilidade. Fê-lo sabendo que isso é algo que incomoda o Presidente do Benfica e que, Luís Filipe Vieira tem consciência que essa é uma área onde ele, por muito que faça, tem dificuldades em atingir um nível aceitável de actuação.

Já referi várias vezes aqui, mas também aqui, e ainda aqui, as capacidades oratórias de Luís Filipe Vieira (posso dizer, sem ser engenheiro, eufemesticamente, que também são críticas construtivas. Até porque penso que um país construído por engenheiros seria uma desgraça). O meu ponto de vista é que Luís Filipe Vieira tem dado muito ao SL Benfica. Que, como toda a gente, comete os seus erros. E que, neste plano, as capacidades comunicativas, apesar de terem vindo a melhorar, não são o seu forte.

Considerando  o futebol dos nossos dias e a maneira como os clubes de futebol se organizam, olhando para a política de comunicação a que Fernando Santos se referia, saliento três vertentes.

Os presidentes dos clubes, em muitos casos, assumem eles próprios as despesas dessa política comunicativa. Fernando Santos chamaria a isso o modelo presidencialista e apontaria como expoente máximo Jorge Nuno Pinto da Costa. Do meu ponto de vista, com Luís Filipe Vieira este modelo não é o que mais o favorece, embora ele se venha esforçando por o cultivar e desenvolver. Na minha perspectiva, Luís Filipe Vieira, com maior ou menor intensidade, continua a precisar de melhorar a sua capacidade comunicativa em cinco dimensões: quando fala, o Presidente do Benfica parece querer falar de tudo, tem alguma dificuldade em concentrar-se no essencial; quando fala, Luís Filipe Vieira tem de contextualizar melhor o seu discurso e perceber que uma coisa é estar a falar para sócios na inauguração de uma casa do Benfica e outra é estar a dar uma entrevista à SIC, à RTP ou à TVI em horário de prime time; quando falar, e porque estrategicamente seria importante distanciar-se da geração dos Pintos da Costa e dos Valentins, o homem do leme tem de habituar-se a fugir ao jargão banal do futebol; quando fala, e esta é para mim a dimensão mais problemática, o homem de bigode farto e de orelha franca, tem de sustentar um padrão de confiança e de credibilidade, pois ser tão taxativo nas suas afirmações e depois ter de arranjar desculpas só o descredibiliza a ele e à sua Direcção; por último, e o Contra Informação apanhou-o bem, Luís Filipe Vieira, quando fala, fica excessivamente preso a tiques, tem uma tendência monocórdica (quase tão má como a de Filipe Soares Franco) e uma propensão (que lhe virá de um certo desejado para imitar Jorge Nuno Pinto da Costa) para disparatar quando não tem nada para dizer. A isso associa a impressão do casmurro que, contra todas as evidências, quer sempre ficar por cima.

Noutros casos, menos comuns em clubes grandes com forte exposição mediática, como é o caso do SL Benfica, há lugar a uma profissionalização, surgindo um gestor da política de comunicação a que se referia Fernando Santos. O SL Benfica tentou, sem sucesso, essa via com João Malheiro. Não sendo uma crítica a um benfiquista de sete costados, pois acho que fazia esse trabalho muito bem, a verdade é que este modelo de profissionalização não parece o mais adequado para o SL Benfica, dada a sobreexposição mediática do clube. Quando esta figura existe, ela é quase obrigada a falar, mesmo quando as evidências demonstram que o silêncio seria a melhor opção. João Malheiro foi a vítima deste modelo experimental.

Na terceira vertente, para voltar ao exemplo da anedota do engenheiro e do gestor, é o próprio treinador que assume as despesas da política de comunicação. Diga-se que este exemplo é muito comum em clubes com uma forte exposição mediática, onde o treinador, por muito que existam profissionais da comunicação, será sempre o primeiro e o último responsável. Cito dois exemplos que considero paradigmáticos: José Mourinho e Luís Filipe Scolari..

José Mourinho e Luís Filipe Scolari partilham uma ou outra característica. São ambos, ou sabem ser, treinadores e oradores arrogantes quanto baste. Sobretudo com os jornalistas. São também, ambos, estrangeiros nos países onde treinam. Fernando Santos, nunca soube, nem nunca quis manter esse nível de arrogância com os jornalistas. Nao se trata de ser indelicado ou inoportuno. Trata-se de saber marcar uma posição num universo em que a exposição mediática é propícia a provocações, em que parece haver cada vez mais ‘jornalistas’ especialistas na matéria ou ao serviço de determinadas causas.

Recordando Ivone Silva, e a Olívia patroa e a Olívia costureira, diria que, na anedota acima, estamos perante um monólogo entre o Fernando Santos engenheiro-treinador e o Fernando Santos gestor-manager.

O Fernando Santos gestor-manager é o homem que se perdeu sozinho a tentar navegar num balão, talvez por querer fazer algo que gostaria mas que, ao contrário do que pensava, as suas competências não lhe permitiam fazer com segurança. A dada altura começa a voar cada vez mais baixo, à espera de encontrar uma solução para a sua agonia. O Fernando Santos engenheiro-treinador é um homem competente nas suas análises. Tecnicamente sabe onde está, mas se tiver de comunicar esses conhecimentos ao Fernando Santos gestor-manager tem dificuldade em fazê-lo com a emotividade e a paixão que permitam resolver o problema. Sabe que está à deriva, mas tem dificuldade em reconhecê-lo e em encontrar a solução. Está meia hora atrasado, mas não desce do balão para ir a pé. Por isso, continua a voar cada vez mais baixo à espera da salvação.

Fernando Santos tem razão. No curto período de tempo em que, na época 2007-2008, esteve à frente do Benfica foi mais um gestor-manager, responsável pela comunicação, que um engenheiro-treinador. Falava cada vez mais, mas, como o gestor do balão, cada vez parecia mais não saber onde estava nem para onde ia. Mas isso não o impedia de fazer promessas (afinal ainda haveria de ser aplaudido de pé; e até foi, mas não pelas razões que imaginara), parecendo estar à espera de um gestor de comunicação que lhe resolvesse os problemas. Como o homem do balão, com o tempo a passar, Fernando Santos estava cada vez mais na mesma. E assim chegou à situação em que, tendo-se perdido como manager, tornou evidente que a culpa era sua enquanto treinador. Não admira, por isso, por alguma razão que possa ter, e por muita deslealdade que possa evocar, que tenha ficado a falar sozinho.

Older Posts »

Powered by WordPress