Joe Berardo tem muitas casas. Tem casas em todo o mundo. Da América a África. Da Madeira a Lisboa. Mas o Benfica tem mais casas que Joe Berardo.
Com 198 casas e mais 29 filiais ou delegações, o Benfica é uma instituição imensa. Tenho a honra de morar numa rua e a cerca de 600 metros onde há uma casa do Benfica – embora seja verdade que, ainda mais perto, e na mesma rua, tenho a casa do Porto. (Embora a diferença seja nítida. A casa do Porto vi-a aberta duas vezes. Na véspera da inauguração e no dia da inauguração. À casa do Benfica vou lá todas as semanas – tomar café, beber uma cerveja, ver um jogo, ou comprar um bilhete. Ah, e fui lá votar nas últimas eleições para a presidência do Clube na primeira experiência de voto electrónico, acompanhada pela Comissão Nacional de Eleições, em Portugal. Nessa mesma casa, onde o plantel , em trânsito de Óbidos para o Norte, parou para votar).
As casas do Benfica são um dos eixos da força do Clube. Das cerca de 200 casas, 52 têm um sistema de bilhética a funcionar. Quem vai a Lisboa, seja vindo de Norte, seja vindo de Sul, sabe bem a importância das casas do Benfica e o contributo que dão para sermos o clube com as assistências mais numerosas aos jogos. É um ritual digno de registo que empresta ao Benfica a verdadeira dimensão de clube popular e nacional.
Claro que dizer nacional é dizer pouco. É como dizer que o Benfica tem 6 milhões de adeptos, esquecendo os outros tantos que existem além fronteiras. Aqueles que enchem o Parque dos Principes ou o Stade de France. Aqueles que, quando o Benfica estagia na Suiça ou na Áustria, fazem com que o Benfica tenha assistências de 10 mil pessoas a assistir aos treinos ou a jogos contra clubes das distritais. O Benfica tem 25 casas além fronteiras, 11 das quais na América do Norte e 9 na Europa. Está nos 5 continentes. Tem uma casa em Sydney e uma filial em Macau.
Em Portugal, do Continente às Ilhas, está em todo o lado. São 173 casas (14 no Minho, 10 em Trás-os-Montes, 20 no Douro, 21 na Beira Litoral, 36 nas Beiras – para mim, beirão, isto é mel na soupa -, 22 na Extremadura, 15 no Ribatejo, 21 no Alentejo, 10 no Algarve, 3 nos Açores e 1 na Madeira). O Benfica é mais que uma Nação. É um mundo. E mais mundo houvesse, o Benfica estaria lá.
Claro que há também, nessa dimensão de clube popular, aquelas outras casas, de quem quer ter uma casa à Benfica, mostrando o seu benfiquismo, por dentro ou por fora. E depois há as casas virtuais, como os blogs, de que este é um exemplo. O Benfica tem 69 blogs oficializados (vou pedir para oficializarem este, rebentando com este curioso número). Mas os blogs do Benfica são tantos quantas as casas. São centenas.
É natural que, pelo seu fervor, nas casas do Benfica se acredite sempre no Benfica e mesmo até no impossível. Lembro-me de há poucos anos estar a acompanhar um Belenenses-Benfica (daqueles jogos para esquecer) e, quando a menos de 5 minutos do fim, estávamos a perder 3-0, não havia ninguém na sala que não acreditasse que o Benfica ainda ia dar a volta. No estádio, a GRANDE casa do Benfica, é ao contrário. Se começarmos a perder, toda a gente parece acreditar que já não é possível dar a volta.
As casas do Benfica estão vivas. Mora lá gente. As portas abrem e fecham com muita frequência. Nalgumas há quem more lá em permanência. Centenas e, às vezes, mais de mil, de todos os cantos do mundo. E aí, as exigências são ainda maiores. Compram-se jogadores a rodos sem limite de orçamento (ele é Willian, ele é Pato, ele é Afonso Alves, ele é Daniel Carvalho), fazem-se 15 substituições por jogo, joga-se só com pontas de lança e muda-se de treinador de 5 em 5 minutos. São assim mesmo as casas do Benfica. Reais ou virtuais, mas sempre a sonhar para fazer o MAIOR CLUBE DO MUNDO.