Na mesma altura em que vendiam duas das suas jovens promessas ao Manchester United de Cristiano Ronaldo e de Carlos Queirós, Porto e Sporting seguiam o rumo dos prejuízos financeiros.
Vender bons jogadores nunca é uma boa opção desportiva. Mas em Portugal tem sido a única maneira de equilibrar as contas dos clubes. Com os orçamentos que mantêm, dos 3 grandes só o Benfica consegue actualmente gerar receitas que não o colocam dependente da venda de jogadores. Isso é muito bom. É o melhor sinal financeiro para o futuro. Não significa porém que não venha a vender jogadores.
O FC Porto depois de ter resultados líquidos (prejuízos financeiros) negativos na época anterior, e que se vinham já sucedendo, revelou recentemente que esta época ia no mesmo caminho. Em 9 meses os prejuízos aproximaram-se dos 15 milhões de euros. Se não vendesse agora um dos seus melhores jogadores terminaria o exercício com resultados que iam agravar, e muito, o passivo acumulado. No caso do Porto ultrapassam já os 120 milhões de euros. Esta época o FC Porto não terá outra vez resultados negativos de 30 milhões. Mas se não quiser agravar o passivo vai ter de vender mais um bom jogador. Boa viagem.
Ao Sporting CP, com o seu passivo acumulado de cerca de 300 milhões de euros, já não chega vender jogadores. Ainda que conseguisse resultados líquidos positivos, o que não tem sido o caso, nunca seriam suficientes para anular o passivo. Resta-lhe vender o património que tem.
O Benfica, que já teve um passivo semelhante ao do Sporting, tem vindo a diminui-lo, mas é ainda demasiado penoso. Os cerca de 220 milhões são uma quantia excessiva para as receitas que o clube gera e impedem sonhos maiores. Contudo, e isso é de salientar, o Benfica parece ser o único clube, mesmo sem vender jogadores, capz de assegurar resultados líquidos positivos. Mas isso não significa que não venha a vender jogadores, pois no último exercício os resultados foram menos de 3 milhões de euros positivos. O Benfica, para ser competitivo, precisa de aumentar o orçamento. Precisa de diminuir o passivo. E para o diminuir, se não for capaz a curto prazo de dobrar o número de sócios, só lhe resta um caminho. Vender, como tem tentado, o Simão ou o Luisão. Dizer que não precisa de vender é o discurso necessário par mostrar que não está em saldos.