O acordo de sponsorização que o SL Benfica assinou com a Sagres, para 12 anos, pode ter algo de criticável por se estender por um período tão longo. Mas, bem vistas as coisas, é um excelente acordo, que dificilmente qualquer outro clube português, nas actuais circunstâncias de mercado, pode assinar, ainda que com valores mais baixos ou aproximados.
A questão dos 12 anos tem de ser enquadrada por várias variáveis. Para determinados montantes, na ordem dos 40 a 50 milhões de euros, nenhum patrocinador está disponível para patrocínios de curto prazo. No mínimo, têm de durar 10 anos, faseando-se os pagamentos em tranches mais ou menos simétricas ao longo do período. Além disso, há que ver que, neste caso concreto, não estamos a falar de um negócio que envolva a venda de um produto com um inigualável valor de mercado, como é o caso de direitos de transmissão televisiva. Acresce que o acordo contempla a sponsorização das modalidades amadoras, que, cronicamente, têm tido dificuldades em obter patrocinadores. Se a isto acrescentarmos que, com a crise, os investimentos em publicidade têm caído a pique e que não é provável nem que a retoma neste domínio esteja para breve, nem que seja avassaladora, o cenário do bom negócio torna-se ainda mais evidente. Se dúvidas houver, é esperar para ver se alguém faz parecido ou melhor. E ir olhando para o peso destas receitas nas contas dos clubes, endo certo que o SL Benfica será um exemplo a seguir.
O que importa perceber, para sustentar a defesa de contratos de sponsorização de média duração, como o agora celebrado com a Sagres, é que o SL Benfica tem uma quantidade razoável de bens que podem gerar receitas deste tipo. O que significa que é desejável que, para uma gestão racional e eficaz, em cada mandato de Direcção deve ser negociado ou renegociado um grande contrato de sponsorização. Por isso, para maximizar as possibilidades de boa negociação, é importante que esses contratos não caducam todos no mesmo mandato. Só para lembrar alguns desses grandes contratos, para lá dos famosos direitos das transmissões da Liga, abocanhados pela Olivedesportos até 2013, o naming dos pavilhões, os patrocínios das camisolas, os patrocínios das modalidades e o naming do estádio, representam, entre alguns outros (por exemplo, naming das bancadas do estádio), bens que podem gerar consideráveis receitas de soponsorização. Neste domínio, para a Direcção que ontem tomou posse, a naming do estádio, que pode render mais de 60 milhões de euros por um período de 10 a 15 anos, representa um grande desafio.
Acresce que os acordos de média duração, estando em causa a marca portuguesa mais reconhecida, têm a manifesta vantagem de levar os interessados a arriscar mais na possibilidade de os concretizar, dado que, ficando de fora, ficam de fora muito tempo. Por outro lado, sabendo que em cada mandato de Direcção têm a opção de se associarem ao SL Benfica se sponsorizarem o bem que, nesse mandato, vê o contrato de sponsorização caducar, os interessados sentirão o peso da concorrência e, tendo perdido, uma vez, nã quererão perder uma segunda.
A hierarquização de patrocinadores e sponsors far-se-á assim mais naturalmente. Tendencialmente, as melhores marcas ficarão com os melhores sponsors. Mas convém não esquecer, que exactamente pelo dinheiro que gera e pelo valor económico das marcas e dos bens em causa, e concretamente no que ao SL Benfica diz respeito, a tentação para garantir determinados direitos pelo controlo dos órgãos de gestão não estará nunca fora de cena. Por isso mesmo, é garantido que de cada vez que houver eleições no SL Benfica haverá animação de sobra.
