O OITO E O OITENTA
João Vieira Pinto retirou-se do futebol.
Muito, de bom e de mau, se poderia dizer sobre ele. Afinal, o oito do SL Benfica, oscilou, nos sentimentos que gerou entre benfiquistas, entre o oito e o oitenta.
Pela minha parte, apenas quero deixar-lhe o reconhecimento pelas coisas boas que deixou no SL Benfica. Aquelas diabruras do 3-6 de Alvalade fazem parte da minha alma.
FREDDY ADU, FÁBIO COENTRÃO E MAIS UMA DÚZIA
Freddy Adu rumou ao AS Mónaco, por empréstimo com opção de compra.
Fábio Coentrão, para outro destino, tinha seguido o mesmo caminho.
São dois jogadores, de mais de uma dúzia que o SL Benfica terá de recolocar no mercado em poucos dias, numa tarefa que se afigura tão difícil como garantir os reforços de qualidade que ainda falta chegar.
O que me custa ver na saída de Freddy Adu e de Fábio Coentrão não é tanto a falta que eles fazem à equipa. É tão só o facto de as suas saídas representarem a incapacidade do SL Benfica em incorporar em equipas que têm sido medianas e alcançado resultados muito modestos jovens promissores como Freddy Adu ou Fábio Coentrão.
Neste momento crucial de preparação da época, apesar das saídas de Freddy Adu e de Fábio Coentrão, não deixa de ser caricato que Quique Flores tenha cerca de uma dúzia de jogadores a descartar num plantel que terá forçosamente de receber ainda alguns reforços.
OS REFORÇOS DO SL BENFICA
A crise económica mundial também chegou ao futebol. Tirando várias excepções, porque haverá sempre loucuras em tempos de crise, os clubes estão a ser mais cautelosos na sua política de aquisições. E, sobretudo, estão a gastar menos dinheiro, ao mesmo tempo que o preço médio dos jogadores que estão fora do circuito das “grandes estrelas” parece ter descido. Fenómenos como aqueles que estão a ocorrer com o Valência, que colocou no mercado as suas estrelas e assumiu ir apenas lutar para ser uma equipa do meio da tabela, quando ainda há pouco queria dar cartas nos mais elevados palcos europeus, são apenas um indicador do que se está a passar e daquilo que estará para vir.
Os clubes portugueses, incluindo os três grandes, também foram este ano, para já, mais parcimoniosos e, sobretudo, mais criteriosos, com a curiosidade de o Sporting ter assumido já que o plantel está fechado.
Os próprios nomes contratados pelos clubes portugueses não são tão sonantes quanto em tempos recentes, ainda que Aimar faça sonhar. No fundo, os clubes parecem assumir que os reforços estão sobretudo dentro das equipas, apostando que os jogadores da época passada, sobretudo as jovens promessas, irão melhorar e ser reforços que ainda não foram.
Neste plano, o SL Benfica foi o clube que mais apostou em renovar a equipa. Mas, tendo perdido Rodriguez e Rui Costa, que foram tão só os dois jogadores em melhor plano, os reforços, apesar de Aimar, fazem pairar fortes dúvidas sobre a melhoria global da qualidade da equipa.
O mais certo, e o mais ajuizado (ainda que o SL Benfica tenha necessidade de se reforçar e de se livrar de uma quantidade assinalável de jogadores), no meu ponto de vista, é mesmo apostar nos reforços de dentro, esperando e exigindo que todos eles façam bem melhor que na época passada. E sobretudo esperar uma maior estabilidade e mais paciência da massa associativa. Qualquer um destes dois desejos são, neste momento, meras quimeras.
FELIZMENTE NUNCA VÃO JOGAR TODOS JUNTOS
Ontem, depois de um dia bem passado na companhia de bloggers e frequentadores de blogs benfiquistas, lá me sentei em frente à TV para ver o primeiro SL Benfica da época.
Sem grandes expectativas à partida, assisti a um jogo com um resultado mau e uma exibição ainda pior.
Num jogo que contou mais para Quique Flores definir a lista de dispensas e para repensar a necessidade de reforços, os 90 minutos foram pouco mais que entediantes. Resta-me a consolação da certeza que esta época, certamente, não voltarei a vê-los a jogar futebol todos juntos.
Esta equipa era bem capaz de igualar “o feito” da equipa da época passada.
PABLO AIMAR
Nas frases feitas do futebol, é seguro afirmar-se que um jogador, por melhor que seja, não faz uma equipa. Como é igualmente seguro afirmar que um grande jogador, se a sua equipa não alcança resultados, se pode tornar ou parecer um jogador mais banal que aquilo que é. É claro que, de quando em quando, aparece um Maradona para contrariar as frases feitas do futebol.
Pablo Aimar não é um Maradona. Talvez por isso mesmo as duas verdades futebolísticas expostas acima, lhe encaixem, neste momento da sua carreira, na perfeição.
Aimar não vem salvar o SL Benfica. É injusto pedir-se-lhe isso, esperando que as enormes qualidades que possui possam ser suficientes para levar o SL Benfica aos títulos. Esse erro, muitos benfiquistas já o cometeram com Rui Costa. Sozinho Aimar é apenas mais um. Mas a sua visão de jogo, a sua experiência e, espera-se, a vontade de vencer podem constituir um trunfo inegável na construção de uma equipa equilibrada e competitiva.
Pablo Aimar deixa o Saragoça, onde chegou como salvador, sem deixar grandes saudades. Afinal, com ele, o Saragoça desceu ao Inferno da segunda divisão espanhola e Aimar é mesmo apontado como um dos principais culpados. Sem resultados, aqueles de quem mais se espera, por terem qualidades reconhecidas, são, forçosamente, aqueles a quem mais se aponta o dedo. Pelo seu passado recente, por estar numa fase crucial da sua carreira, por ter chegado a um grande clube, por não querer parecer o jogador banal do Saragoça, Aimar tem todos os ingredietes para fazer da vontade do clube (alcançar títulos e resultados) a sua vontade.
Se o SL Benfica alcançar resultados, Aimar, porque essa é uma verdade do futebol, confirma o seu estatuto de um dos melhores 10 do mundo. Se o SL Benfica não alcançar resultados, Aimar não deixará de confirmar que, afinal, é um jogador banal. Aos grandes jogadores que chegam a grandes clubes sóum desses caminhos é possível.






